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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

domingo, 27 de dezembro de 2015

Just one more day

Minha mente vez ou outra tentara me alertar. "Você sabe que não deveria, que não deveria deixa lo entrar e se manter exposta." Num primeiro momento, eu dava ouvidos a ela. Num segundo momento quando ela tentara alertar novamente eu retorquia. "Silêncio, apenas observe, observe como ele dorme... Esse sentimento não é normal mas mesmo assim, que paz é essa ao observa-lo dormir qual a sinto?" E minha mente se calava, porque ela também reconhecia a insanidade daquilo tudo mas não lutava para que parássemos, ela entendia os riscos, todos eles e queria aceita-los mas não queria dizer. Num terceiro momento, esse o qual eu me via entregue, ela tentou uma vez mais. "Você disse que não deixaria isso acontecer novamente, você disse porque sabia como você é quando se afunda nesse sentimento... Você volta a ser criança novamente, você some perante esta coisa que sente e tenta trazer o mundo nas costas quando tenta alcançar tudo com o coração nas mãos tentando agradar, tentando proteger, tentando ser o que jamais ninguém seria. Veja bem, sei que isso é o que você é, mas você sabe que isso vai acabar contigo quando os riscos deixarem de ser suposição e acontecerem. Você sabe como abre espaço para ser o brinquedo no jogo, você sabe que não sabe jogar e ainda se permitiu ser engolida pelo que avisei que não deveria fazer." Eu entendia o medo de minha mente, eu sabia que era verdade, mas retorquia admitindo que sempre achei esse jogo sórdido demais, que não teria estômago para sempre estar armada, para querer controlar as coisas ou alguém. Pra mim isso nunca foi possibilidade, isso nunca foi um jogo. E não deveria ser. Meu ser não entende o mundo que vive apostando outras almas e outras máscaras. Minha mente entendia que isso era autopreservação, mas eu continuava dizendo que não daria pra viver calculando cada mínima ação, porque eu ainda acreditava na inocência latente em mim, que por muitas vezes tentei matar. Hoje ela está morta. Talvez eu tenha sido a culpada, talvez o mundo. Não importa. Contudo, gostaria de acreditar que tomei o último suspiro, que realmente a enterrei... Mas ainda há a terrível sensação e teimosia de que isso não termina, de que se ela, minha inocência, estivesse realmente morta, eu deveria não ser capaz mais de respirar.

Minha mente sabe o que a mata, o que a afoga e dizima cada fôlego para crer em algo, mas ela também sabe como isso se entorna, como isso vira um vício, um jogo de sobrevivência. Talvez seja isso o que tenha a mantido esse tempo todo; tudo que a mata ela ainda luta para transformar em vida. E então algo aconteceu; você.
Você ateou fogo em minha alma. Foram as chamas mais bonitas que eu pude contemplar. Elas a aqueceram, a deram forças e a lembraram de como ela poderia fazê las vivas, rubras, contagiantes. Mostraram na como eu fôra tão responsável por elas, pois eu sempre tive o combustível mas não a faísca necessária. E mesmo que tenhas ido, elas se mantém para me lembrar do que fui capaz de sentir.

Para acalentar agora minha alma, eu assimilo. Eu assimilo a dor, a paz, a intensidade de tudo. E como de costume ela se reconhece como é, ela se acostuma ser quem mantém se viva mesmo com as chamas que não vieram dela. Ela se mantém, por ela mesma e por tudo que ela preza. Ela caiu tantas vezes, tantas... mas ela sempre se lembra do último sussurro quando tudo o que há é escuridão: "Mais um dia, por favor... dê a si mesma mais um dia. Amanhã você faz todas as promessas de desistência, de sangria, de dor... postergue isso, até isso tudo não passar de apenas um sussurro... bem, apenas um sussurro como tudo isso é."

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

No consolation for tonight.

Talvez esse seja o texto mais ingrato que minha mente possa supor. Mas o pior é que ele não deveria ser assim. Há dias que a vida parece tão boa, que por justamente não poder alcança-la assim não valesse a pena seguir. Mas essa não é toda a verdade. A verdade é que tudo isso que nos dispomos - já parou para pensar o quanto e a tudo que nos dispomos rotineira, corriqueira e cotidianamente?- é muito cansativo. As vezes simplesmente conseguir dormir e não sonhar, abrir os olhos e levantar se torna cansativo. Mas acalme-se, isso não é uma nota de suicídio. Isso é só consciência do cansaço, que as vezes até as coisas mais alegres lhe tira o ar e isso também se torna cansativo. E até mesmo a redundância deste texto me deixa cansada. A vida não acabou aqui para mim. Por mais que eu seja fascinada pelo conforto e descanso que a morte parece ter na minha mente. O triste é que esse descanso é dado só a quem a alcança. Todos os outros para trás acabam se tornando cada dia mais amargurados com o cansaço e mais ainda aqueles que tem consciência disso. E qual consolo há se tão somente a morte que traz o descanso? Não temos consolo, nunca descansamos. Ainda não descobri palavras doces o suficiente para dar de alimentar as minhas dores. As dores do mundo. Nada parece suficientemente e prolongadamente doce para livrar-nos do amargor do sangue na boca. Quão sem esperança pode ser este texto? Até que ponto não posso dizer, já que é madrugada, estou cansada e dormir parece não ser saída. Eu não choro por falta das minhas palavras, por falta do provento que palavras doces poderiam dar. Eu me calo. Eu aquiesço. Eu tento abraçar o mundo no silêncio mas sou muito pequena para tal. E isso se torna visível quando a parte mais próxima não pode ser tocada. A parte mais próxima a mim espalhada ao mundo. Não há palavras de consolo. Mas digo que se um dia eu pudesse fazer um desejo, eu levaria todo o cansaço embora comigo quando eu partisse para sempre; para ver o mundo próximo e distante sorrir sem rugas. Mas eu não posso. Então hoje eu aquiesço. Pois não consolo, não tenho palavras doces, não tenho desculpas a serem pedidas e dadas. Eu me calo. Pois não consigo alcançar o que quero com minha voz. Eu durmo. Pois a minha mente não chega até onde eu gostaria. E isso não é uma nota de suicídio. É uma nota de cansaço.

Madness

E as pessoas vão a loucura quando se tira algo que elas deveriam ter total controle. Tente tirar o controle e observação delas sobre qualquer determinado processo e elas enlouquecem. Eu enlouqueceria. Por diversas vezes me vi jogada nesse moinho que é o processo das coisas. E a culpa vinha, o medo, o drama... e isso doía. Outra, nada disso não justifica nada. Que absurdo é viver uma vida controlando processos incontroláveis, tentando justificar ou não cada escolha. Isso faria sentido se tudo isso tivesse ao menos um sentindo, não é? Digo, para que viemos a este mundo? Por que há sofrimento? Por que insistem dizendo que devemos aprender sofrendo? Eu não entendo. Apesar de sim, já ter aprendido algumas coisas, e essas doeram execravelmente. Talvez o que justifique o passar de tudo isso seja uma cega e falsa crença que as pessoas carregam consigo, em relação a todas as coisas e pessoas. Imaginem, como poderíamos viver sem acreditar em algo? Mesmo que falso? E há essa crença em coisas falsas que sabemos disso mas não admitimos. Eu não admito. Eu não fecho os olhos. Não me revolto. Eu só passei a entender. Entendo pouco do jogo que é isso tudo, dessa relação com a vida. Mas não me importo mais. As vitórias, as perdas... isso passou a não me comover. Só entendo. Entendo que também não entendo de nada. Entendi a partir de quando abri mão do processo. Eu enlouqueci e morri para aprender ver. A maior parte das pessoas só enlouquecem. Não ouso dizer que morri para renascer. Quão misticista isso não soaria, hã? Agora só entendo que morro todos os dias, morro um pouco a cada dia para tentar abrir mão da loucura. Morro de medo. Morro apostando minha vida. Minha confiança. As coisas morrem, as pessoas morrem. Porque eu não haveria de entender que o processo também deveria morrer? Não completamente mas na sua complexidade. E a vida sem complexos vira algo morno. Eu não ligo mais para os extremos. Eu só agora entendo o motivo deles existirem. Mas não me comovem, não mais.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

She just can't

She can't no longer love. She kept saying that. She discovered at that point when she loves, she dies. Because every piece of her its design for this, for feel this terrifying feeling; that thing she called love its in order to drag her to the deepest hollow of the her state of mind. She don't know how to stop, she never figured out that this kind of feeling can't be stopped. She's not programmed to love while she's breathing, because every part of love takes away a breath of her. She knows that the very moment she fall in love, she's dead. That's not other way that she knows how to feel. But, not being in love, not reserved a piece of her to love is like to living death. And she goes mad, about all this crap. The world seems not be ready to take her soul, her love, the love that's so intense, and make her live and teach her live without all the pain, and all the death that she could bring with her.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Black widow

Ela agora as escolhe a dedo. Ela agora saboreia o odor que exala das feições de suas presas. Há tempos ela observara os modos de um predador. Ela absorve rápido. Muito rápido. E então ela veste está capa de aranha. De uma viúva negra. Que foi morta visceralmente. E então o seu exterior se torna sulcos pingantes de um veneno doloroso. As presas inadvertidas são atraídas até as teias perfumadas. As teias se movimentam com um balançar que parece causar às breves existentes presas que percebam algo que brilhe como ouro. Para só no fim descobrirem que era ouro de tolo. Ela se deleita com o processo. Ela não adverte mais. Ela raramente o faz, mas só para atrair novamente aquelas que se divertem com advertências. No fim, elas acabam se esquecendo disso de qualquer forma. E seu jogo continua. Ela absorve a dor e ela reproduz a dor. É lancinante. É viciante quase. Ela se passa por presa, ela sabe disso. Ninguém nota. E isso da um toque requintado ao seu paladar. No final da ceia ela se sacia sozinha com todas as premissas retiradas do forno precipitadamente. E que belo banquete ela banqueteia. Suas presas se derretem no paladar que se aguçou dolorosamente mas que agora é peremptoriamente sensível aos sabores seletos. Ela escolhe. Ela prende. Ela devora. E o que sobra são as vísceras de algo inocentemente devorado com um veneno misturado com luxúria e dor. Ela mastiga a dor, ela regojiza com a maldade de sua própria dor. Ela tem paciência. Pena. As presas não.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A sua morte em mim

Eu ainda me lembrarei por algum tempo antes de dormir, sobre sua crença em um deus, que se tornava aos poucos um deus subjetivo, só seu. Imaginarei suas preces silenciosas. Escutarei o eco de algumas promessas, ditas somente numa noite, comentadas pouquíssimas vezes, e esquecidas com o tempo corrente. Os carros parecidos com o seu ainda me darão calafrios por algum tempo. A sonora gargalhada em que dava em poucas chances que pude causar em você, ainda retumbarão algumas noites na parede do meu quarto; do mesmo jeito daquele álbum do Pink Floyd que ouviamos no seu antigo quarto quando estávamos suados. Meu estômago revirará ao ouvir aquele álbum por algum tempo. A vontade de apagar, rasgar e queimar lembranças de viagens andarão algumas noites comigo. O desejo de assassinar as coisas e as atitudes que me lembrarão de você continuarão por alguns momentos. Então a necessidade de assassinar o que restar de você em mim, no meu quarto, no meu caminhar, na minha vida surgirá quando eu tragar alguns vários cigarros. A bebida, a fumaça, o cheiro de suor de alguns outros corpos o matará aos poucos para que então eu possa continuar sobrevivendo mais alguns dias. Até que isso tudo um dia vire lembranças que talvez ainda produza algum comichão, alguma coceira mas que acabarei não me importando se exista ou não; e somente saber que você ainda está vivo tirará alguma tristeza trágica que algumas mortes literais dão. Mas será só isso, sua morte metafórica não me importará mais.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

That sensation

Eu senti a necessidade de escrever sobre essa sensação, forte. Muito forte. Por deuses, é algo tão pleno, assustadoramente cheio de... Alegria. Chorei por sentir isso. E sorri ao mesmo tempo. Nunca tinha me sentido de tal maneira. Parece me por milésimos que consegui compreender como é ter um sentimento puro, e poder denomina-lo puro, porque não me fere. Não dói. Há lágrimas mas nada dói. Eu continuo sorrindo. Consegui entender que não é preciso ter nas mãos o amor de outra pessoa, não há necessidade de pedir, de chantagens, de súplicas. Sentir isso já é o suficiente. É isso. Por poder sentir essa coisa pura já é algo extraordinário. Não há desejo de posse, não precisa ter. Porque esse sentimento parece ser por si só, autosuficiente. É algo que mesmo se o objeto enamorado partir ou não tiver um espaço pra percorrer, o sentimento de estar aberto para ser atingido continuará com seu movimento. Espero me lembrar dessa sensação até o dia que eu não puder mais respirar. Talvez descubra até lá que sua causa é um monte de reações químicas no meu cérebro. Mesmo assim não me importo. Ainda assim o senti. E lembrarei me da primeira vez em que quis chorar por me sentir tão feliz por ter descoberto uma sensação extasiante, pura, doce, confortável; que pude me sentir sortuda.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Holding

É estranho essa sensação de não ter pra onde correr. É estranho ter que segurar as pontas, sem deixar nada cair, sem nem eu mesma cair. Parece algo maduro mas no fundo é até um pouco assustador. Porque ante qualquer deslize vem o susto e a primeira reação pensada é se agarrar a algo. É nesse momento que percebe tudo que tem é você mesmo pra poder se agarrar. Esse tudo diz sobre o que é necessário. Tudo que tem a necessidade de se segurar por conta própria já que por experiência isso sempre pareceu mais estável. Pois convenhamos, não estamos a maior parte do tempo sozinhos com nós mesmos? Você precisa do mundo como base para reagir, e reage a esse mundo de acordo com experiências que tem. Entretanto no fundo tem algo solipsista que é ativado, porque ainda assim precisa se de uma individualidade composta de, sim dessas experiências, mas que também composta pelo conjunto que é você e essas experiências. Então você é um indivíduo composto de experiências mas ainda assim, você é uma coisa só? Pode ser.
Você não é completamente o que experienciou. Talvez necessesariamente sim, talvez você seja a forma como absorveu, reagiu e retrucou essas experiências.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Gambling

Você está me salvando de novo. Parece que estou aproveitando muito de você, das memórias que tenho de ti. O que posso fazer se no meio disso tudo, são as mais felizes e por que não dizer, as mais saudáveis? Porque por mais que o barulho que fez em mim ou na vida pareça ser alto, você me arrancou de um silêncio perigoso. Você me tirou algumas dores, sem nem mesmo saber. Eu queria te dar algumas expectativas mas por mais incompreensível que tenha ficado, você se afastando por causa disso me ensinou a lidar contigo. E esse jogo que parece jogarmos é de longe a coisa mais saudável que tenho vivido. Ao invés de brincarmos como as pessoas convencionalmente fazem, de marcarmos  começos, meio e fins tudo se resume nas nossas jogatelas, nos olhares sujos disfarçados de doçura e inocência. Ah, os sorrisos. Pra um bom observador isso seria a nossa abertura, o que nos entrega. Estou falando de nós sem nem mesmo saber e nem ter a obrigação de acreditar que isso exista. E não temos, a bem da verdade. E isso não dói, isso não machuca. Isso me ensina a lidar com minha autonomia por mais que ela pareça falha quando sinto você, mas ela está lá, ela está jogando contigo. E jogamos com cartas escondidas. Sem trapacear. Se soubermos jogar bem, esse jogo não precisa necessariamente ter uma temporalidade. Você vê? Não precisa de coisas definidas, não precisa de medos, não precisa de dor, não precisa de tédio. Só precisa do nosso desejo e isso meu caro, é uma delícia de se apostar.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Vícios?

Quão longe chegaríamos? Até onde eu sentiria sua mão na minha? Até onde eu saberia dormir sem me privar de desabar? Até onde eu continuaria a mentir tão bem que a vida é feita disso mesmo? Risos. Você não sabe lidar com fatores condicionais não é mesmo? Eu aprendi a lidar melhor com eles, evita algumas dores até. Parece que sobre você eu ainda não aprendi a evitar. Eu sabia que essa aparente solução não seria uma solução. Que eu ainda lutaria para que não doesse. Então você fez o favor de dizer que eu desistia fácil de mais. Como? Como? Você quis dizer que eu desistia de mim todas as vezes em prol de ti? Porque só poderia ser isto. E há pouco tempo não vi você tentando, acho que a desistência chega pra todos, como a velhice, como a entrega para algum vício qualquer. Por falar nisso, não me critique quanto a isso. Vícios. Você foi um por muito tempo, e olhe onde isso me levou. Esse tipo de reabilitação não tem em toda esquina, em todo olhar, dificilmente dentro de nós. Você não entende de vícios, porque não entendia o que era te ver sorrir. Porque se entendesse, saberia dos maus bocados que passei. Quando esses sorrisos são as maiores das drogas, você não julga quando sabe que isso se foi e não tem volta.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Amor é?

Talvez ela tenha crescido acreditando inocentemente que sabia de cor e salteado definir amor. Que tragédia. Tão inocente. Agora ela só tem muitas peças na mão, sem saber direito o que fazer delas. A única certeza é a duvida que tem. E mesmo inocente como era sabia que amor era tudo menos dúvida. Coitada. Tantas sombras largadas pelos cantos de sua mente.
Amor. Quantos já não se arriscaram escrever sobre tal? E será que ele, o amor, precisa saber da sua própria existência pra existir? Ou ele é no mundo, como toda facticidade de uma visão fenomenológica? Será que ele precisa de tanta gente pensando ou penando pra definir o que é ou ele precisa de mais gente deixando ele ser o que é? Ele é no mundo... Será? Se é, é por mim ou pelo outro? Ou pela intersubjetividade daqueles que teimam em encontra lo e ou defini lo?
Amor, é abstrato. Será? É ser? Se tão ontológico porque a tira tanto o sono?

terça-feira, 26 de maio de 2015

Coração fareja'dor'

E lentamente esse medo a corrói. O medo de confiar em alguém. Novamente e ver seu coração se atirando na frente de um trem porque aquele é apressado demais, quer sentir demais, quer ter demais. Porque seu coração não sabe ter pouco, a culpa é dela porque deixou que o alimentassem com pouquíssimo. Ela ignorou, achou que ele fosse forte por aguentar uma dieta assim. Mas quanto mais ela o privava, ele queria. E ela não viu isso crescer. Só viu quando ele a devorou. E foi doloroso. Porque ele esta ensinando-a aos poucos não duvidar dele, mas a mente dela agora tem medo e receio. Ela tem medo em admitir que as coisas não serão mais as mesmas, mas ela tem esperanças, aquele sempre machuca estas. Sempre é uma briga feia. E ultimamente o medo vem ganhando todas. Ele é o pior porque a deixa vulnerável, mesmo quando ela quer ser forte. Ela quer aparentar ser, né? Esses sorrisos largos. Ah, acho que esse coração fareja poucas coisas, mentiras e fantasias. O sorriso dela anda pra fora porque quer que tenha testemunhas, assim ela pode correr sempre um pouco mais do medo.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Mask

Um cigarro. Acende. Acende. Apaga. Tenta de novo. Acendeu. Traga. Um trago, traga um olhar. Sorri. Sorri. Gargalhada. Olha de novo. Foge do olhar. Sorri. Encara. Troca de cara. Conversa. Conversa. Fiada. Troca o fio da meada. Tagarela. Fala. Fala. Fingi escutar. Encara. Troca o olhar. Fumaça. Fumaça. Enche pulmão. Finge que real é melhor que ficção. Enche pulmão. Sai fumaça. Sai contensão. Contem o sentimento. Contensão de pensamentos. Acende. Acende. Tenta de novo. Cigarro aceso. Conversas sem peso. Nossos olhos uma tonelada de peso. Arqueia costas. Fumaça. Costas pesadas. Ombros pesados. Mundos em desgraça. Acende. Acende. Sorri. Tudo passa. Todo mundo vê. Ninguém enxerga. Todo mundo fala. Ninguém diz. Na máscara à base de compreensão, dissolve a quem vê. Mas quem olha pra ver?

terça-feira, 12 de maio de 2015

Achismo

Achei demais. Achei que tu ficarias. Achei que tu me confidenciarias não só teu corpo mas tua mente. Meu erro foi sempre achar demais. O erro foi achar que eu suportaria esse achismo. Que eu seria forte frente qualquer coisa. E você esta indo, de longe. Achei que eu partiria primeiro. Achei que saberia lidar com tudo. Mas tive muito tempo de ti pra mim. Talvez o mundo tivesse visto ai a injustiça. Talvez tu faças parte do mundo mesmo. Da mesma forma que acho que pertenço. Você me fez sonhar tanto e agora estas tão longe de mim. A culpa? Tem um lugar aqui pra ela, não se preocupe, eu cuido dela. Siga seu caminho. Eu tentarei o meu sem ti. Não prometo nada. Não prometo não me martirizar sempre, quando a culpa caberia a ti também. Mas vá tranquilo, saberei guardar melhor ela aqui comigo. Ela sempre foi companhia. Obrigada pelo seu tempo desprendido. Obrigada por ter ficado. Mas lamento por ir sem me fazer compreender-te. A vida se encarregou de ser subjugada mas ela subjugará assim mesmo.

domingo, 3 de maio de 2015

Sorry for your lost

Você me perdeu diversas vezes. Que agora seria até irônico você se dar conta disso. Você me perdeu nos detalhes que eu sempre via, que eu sempre queria que tu reagisse a eles, mas por preguiça ou antipatia ficava estático. Me perdeu todas as vezes que eu chorava por não me procurar, que preferia o seu ego à mim. Me perdeu todas as vezes que tudo o que eu tinha era solidão e tristeza mas você não era capaz sequer de levantar teus olhos e focar em mim, você não era capaz de me levar a sério. Parecia sempre um drama de adolescente e você não podia perder tempo com isso. Me perdeu todas as vezes que eu tentei te mostrar que eu realmente sofria, e que mesmo fosse o maior dos dramas possíveis eu só queria dizer que não te queria como platéia, nunca, eu queria te mesmo fosse como protagonista mas que fosse para me salvar. Contudo, de todas as perdas, de todas, eu vi que tinha me perdido quando ficou em silêncio quando eu fui forte o suficiente para pedir ajuda, para verbalizar, para ver que eu realmente precisava de ajuda. E foi ali, na sua falta de reação, no seu silêncio que eu me perdi a última vez por você. Ali eu vi que eu tinha chegado ao fundo do poço e não poderia te esperar para ajudar. Isso doeu. Isso me dilacerou. Porque eu continuei chorando. Até que eu aprendi. Aprendi a levantar os olhos sem esperar ver os seus para aprovar qualquer que fosse minhas atitudes. Até que aprendi a não importar com expectativas. Até que aprendi a suportar a temida rotina que não pudesse ter você. E a aprendizagem mais dolorosa é saber que em meio a isso tudo eu ainda não consigo ser egoísta e te mostrar a culpa, que ainda sou covarde e deixarei que tu vejas, que tu sintas e perceba a sua própria perda, talvez de forma semelhante da que me fez ver. Percebera no silêncio, na ida, na falta dos meus sorrisos, na minha falta. Encontrarás tua perda na minha ausência. Espero que seja tão forte como eu fui para sobreviver à isso. E desculpe me se eu não tiver mais paciência para sofrer e me ausentar. Desculpe me ser necessário eu não estar lá para ensinar te como proteger alguém, de forma maestral qual eu fiz todo esse tempo.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Janelas

Estou indo. Estou partindo. Partirei em todos os sorrisos. Aprendi a amar meu sorriso. Aprendi talvez a incomodar com ele. Aprendi que essa dormência nas bochechas é uma coisa engraçadinha, mas agradável. Estou indo porque a porta ficou tempo demais aberta. Demorei porque não sabia se eu ficava e resfriava com a friagem ou me jogava porta afora com roupas de frio e tudo. Nunca gostei de metades ou mornos. Se um dia achei que sim, me enganei mal. Porque se tivesse enganado bem, seria mais visível a minha disposição no meio de tantas incertezas dos outros. Eu sei das minhas, sempre foram muitas mas sei lidar de tal forma com elas agora que talvez tenham me deixado mais apática. Decidi que tem portas demais abertas na minha vida. Vou fechar algumas delas, pegar um café bem quente e doce, e aproveitarei um pouco das coisas pelas janelas. Espero que minhas janelas estejam mais altas do que essas indecisões por ai.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Só deixar

Preciso aprender que esse tipo de sentimento vem de uma direção desgovernada, justamente na direção da minha mente bem alinhada, lê se aqui ironia. Vou dormir porque reconheço a grandeza desse sentimento que não ouso nomear ou dizer o vulgo nome. Sei o que é. Sei que o é numa estranha proporção. Sei que não verei mais desses por aqui, porque decidi que era por aqui mesmo que tinha o seu começo e sua partida. Não verei novamente porque unicidade é uma das poucas coisas que me abalam nesse mundo. Vou ficar por aqui, vendo a vida passar. Vendo a vida dos outros e reconhecer esse tipo de coisa por ai. Mas nunca vou sentir esse tipo de coisa por aqui, não de novo. Estarei vendo as coisas passarem, ora serei personagem, ora não. A vida é isso, talvez? Essas encenações e contra cenas bizarras. Deixarei de escrever sobre isso por ora. Preciso lembrar da unicidade e deixar isso aqui, por ali, por ai... Só deixar.

Quem?

E parece que me fez envelhecer. Não fisicamente. Parece teatro toda vez que dou risadas sonoras? Pareço uma adolescente com sentimentos extasiados, cheia de atenção? Talvez até concorde contigo. Mas isso sou eu afastando o tempo que tu me fizestes me envelhecer em pouquíssimo tempo. Não sei bem em que exatamente consiste essa velhice. Pareço reconhecer somente quando me vê acender um cigarro. É ali, naquelas fumaças que reconheço que passou por mim, que aquelas cinzas são as sombras dos meus metafóricos cabelos cinzas. Você me faz me sentir velha. Não sei se tive que cair, me levantar e cair de novo... Acho que porque quando eu caí de novo, eu pude achar meu apoio, eu pude me segurar, eu conhecia o caminho até o chão. Talvez isso não tenha me assustado. Só continuo surpresa pelo caminho que me reergui... Ah, se soubesse dos meus sorrisos largos quando me lembro de que me fizeram forte, que me deram uma mão firme e um abraço apertado que deixou meus pensamentos no lugar;  Tempo o suficiente pra reconhecer o quanto vivi, mas o quanto sou tão inocentemente nova. Certeza que vou ralar os joelhos novamente, que cairei mais tantas vezes. Fico chateada porque gostaria que fizesse parte disso, que eu pudesse te ajudar com o que dói, com o que incomoda. Espero sinceramente, que não tenha se fechado dentro de si por medo, por qualquer que seja ele. Porque você não estaria sendo covarde, mas sim cruel com aqueles que te querem cuidar, vulgo meu ego, âmago, coração. Você tem parte aqui em mim. Só não acabe se assustando ou achando que poderá entrar sempre pela mesma porta. Porque da posição que te encaro agora, seria eu suficientemente egoísta pra isso não acontecer. Talvez eu seja fraca e descuidada, e eu queira que entre pela mesma porta. Talvez seja só eu querendo esconder o quanto te quero por aqui. Mas, ei..  Eu venho mudando. Espero que não se aborreça, espero que não me deixe ir embora. Espero que me deixe ficar. Mas não demore. Quando eu tenho autoconsciência, sou fria, sou egoísta. Defendo meu lugar, meu "querer" na mesma proporção que não se quer esperar. E se decidir que você vai só... Bem, espero que leve boas lembranças, espero que meus sorrisos não amarguem qualquer coisa. Engraçado é que esse amargo está nas nossas bocas com nicotina. E quem vai descobrir esse amargo de quem? Quem saboreará pecados novamente?

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Dark streets

Percebi que ando em ruas escuras sem medo mais. Sem medo de surpresas. Me sinto velha nesses momentos. Não sei se madura, mas parece que os anos pesam. Como se eu pudesse lidar com o medo de estranhos por perto. Talvez porque na metáfora que a vida é, você tivesse aparecido assim pra mim. Eu numa rua vazia e escura e você vindo na direção contrária. E era como se tudo o que eu pudesse pensar era ou que você seria uma ameaça, ou me deixaria aliviada e salva. Você demorou antes que aparentasse que faria algum desses movimentos. Por um momento você caminhou ao meu lado, conversando, construindo. Em outro momento você me segurava nos braços, em um outro momento breve me beijava. Me pergunto o que foi que houve pra sem aviso prévio me deixar no chão, sem olhar para trás e sem despedidas ou respostas sair caminhando na direção em que eu vinha. Jogada ao chão eu fiquei confusa, não pude ir na sua direção porque acabava de vir dela. Demorei um pouco pra perceber que quando tentei levantar com dificuldade eu tinha uma ferida. Não sei dizer se fora algum objeto pontiagudo ou só suas palavras que tinham me aberto daquela forma. Impossível. Porque você, quando veio, trouxe sem ver uma atadura, gazes e analgésicos pra uma dor que eu tinha. E então experimentei uma série de sentimentos confusos: raiva, desespero, alegria, alívio. Foi só depois que percebi que a dor da ferida anterior tinha parado. E o objeto com eu tinha me machucado estava em minhas mãos. Tinha sido eu o tempo todo. E te assisti indo. Agora estou sentada nessa rua um pouco menos escura do que estava, acendi um cigarro e agora estou esperando que como esse cigarro, essa esperança de que você volte, morra como essas cinzas. Algo que havia queimado fortemente, mas agora jaz em cinzas frias. Espero que a esperança queime e tome seu fim. Enquanto isso estou esperando o cigarro acabar para poder levantar e continuar na direção em que eu ia.

Sometimes

As vezes me pego pensando se ela se orgulharia de mim. Se onde quer que ela esteja, ela tenha medo de cada passo que tomo. Me olho no espelho e não sei se fico lisonjeada ou triste por ficar fisicamente cada dia mais parecida com ela. Ela era tão linda. Não que eu seja, mas me lembro dela ao olhar pra mim. Não sei se é uma bênção ou maldição. Talvez seja por isso que quando tudo desmorona fico tanto tempo encarando o espelho. Esperando ver o sorriso dela de novo. Esperando ouvir ou lembrar de como era a voz dela. É tão estranho quando lembro me dela. São lembranças que aparecem sem prévia. Mais estranho ainda é a sensação que nunca vai embora de que ainda verei ela, nem que por uma última vez. Fico esperando atender à campanhia e ser ela lá, com algumas sacolas do mercado. Ainda atendo o telefone apreensiva esperando que seja ela preocupada ou querendo só avisar algo mesmo. As vezes gostaria de sonhar todas as noites com ela, pra nunca ter de esquecer um detalhe dela se quer. E quando a casa fica vazia fico em silêncio esperando pra ver se ouço a voz dela, cantarolando algo ou só esperando que me chame pra qualquer coisa. As vezes quando vou dormir, faço um pouco de hora pra ver se ouço ela me mandar escovar os dentes. As vezes me sinto largada esperando que ela me xingue e me arrume. As vezes espero demais. As vezes sei que tem um pouco dela em mim quando faço algo bom. Quando faço alguém sorrir. As vezes vejo ela em corações bons. As vezes vejo ela em quem me protege e me abraça. As vezes sinto ela quando sinto medo e alguém pega minha mão. As vezes sinto ela quando tudo que mais preciso é sorrir e alguém me faz ficar sem fôlego. As vezes vejo ela no amor que tenho por outros e no amor que os outros tem por mim. E sempre sinto ela quando tenho uma amizade e amor verdadeiro por alguém. Porque isso... Isso eu nunca poderei esquecer: a forma como ela me ensinou a amar. E amo ela por isso.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Go and good night, girl.

Ei garota... Hoje te permito tomar metade daquele comprimido pra uma noite sem sonhos, ou melhor, para uma noite dormida. Garota, vá, pode tomar não vou te recriminar nem impedir que o tome. Amanhã você precisa limpar a casa. Você precisa guardar ou jogar fora os objetos esparramados, mal cuidados. Precisa limpar o quarto da mente, pra poder descansar. Precisa lavar a cozinha para não se alimentar mais do que quer que seja que se alimentava. Limpe os filtros, os purificadores de ar. Você precisa de algo cristalino pra beber e respirar um ar fresco. Vá, tome o comprimido. Amanhã você começa fazer caminhada. Ou uma corrida, você decide. Isso mesmo, você decide quais ruas entrar e sair. Você escolhe quando perder o fôlego. E quando o recuperar. Garota, vá dormir. Descanse do sono que ficou suspendido. Vá, feche os olhos pra escuridão agora. Porque amanhã será mais fácil se acostumar com a claridade. Garota, tem um pouco de bagunça por ai, mas você já adiantou bastante dela. Só terá de limpar o resto depois, mas sei que não vai postergar isso - não dessa vez, e depois do resto você terá um tempo livre pra decidir se vai bagunçar isso novamente. Vai decidir se ficar encarando o espelho talvez seja algo bem esclarecedor. Você vai decidir, garota. Amanhã, mesmo que postergue algo de novo, sei que vai tomar um bom café pra dar continuidade à limpeza, aos a fazeres, à vida. Garota, se mantenha. Esteja forte. Assim as bagunças mal serão bagunças com o tempo, e será mais eficaz em arrumar tudo de novo. Vá, garota. Se torne mais forte. Tanto quanto é. Estou orgulhosa, garota. Continue com os sorrisos assustadoramente enormes. Alguns serão fachada para a sua limpeza, outros serão o júbilo dos sorrisos bobos, leves e simples. Vá, garota. É hora. Continue. Não pare até perder a pose. Não pare até perder o último suspiro. Vá e boa noite, garota.

sábado, 4 de abril de 2015

Confesso

Confesso. Sinto medo. O pior é a aflição de não saber definidamente o que será, o que acontecerá. Sinto medo de estar envolta demais nos seus cabelos, no seu cheiro. E preciso de algo pra definir, qualquer coisa. Porque estou me obrigando a enfrentar definições. Quando entrei nisso sabia que teriam apenas duas, e parece que estou no meio disso tudo. Não sei pra que lado isso vai cair. Eu não deveria estar escrevendo sobre isso. Sobre essas lembranças que me pegam e me bofeteiam. Eu sabia dos perigos, sabia mesmo. Enfrentei alguns, me deparei com alguns medos. E o que me parece é que preciso de mais para enfrentar. Estou gostando disso porque sei que uma hora pode saturar. Como se eu precisasse de mais para tirar o fim de vista. Fico triste ao saber que espero pelo abismo. Do ponto onde olharei para ele e esperarei que me olhe de volta(vide Nietzsche). O medo é de descobrir que ele confirme tudo o que desconfiava. O medo é que eu esteja preparada para qualquer confirmação. Estou lutando contra forças invisíveis, difíceis de verificar. Estou aflita e extasiada por acreditar que eu possa me preparar por duas situações diferentes. Bem, será que no fim serão tao diferentes assim?

Smile

Talvez eu nunca envie essas palavras. Não consigo me decidir se seria justo te entrega las. Porque eu queria te fazer notar a sua inocência, no bom modo, de um modo comovente. A sua bondade chega ser palpável. E meu coração chora ao perceber que esse amor tão... puro, inocente, não duvido que carnal, não seja retribuído. Tenho essa mania de achar que algumas coisas ficam bonitas, quase poéticas, quando têm vontade de se transformar em outra coisa mas por algum descuido do mundo não podem. Talvez a forma como nossos corações foram criados não deva ser uma forma muito justa ou direta. É uma forma confusa, sempre dizem pra seguir um caminho, sempre nos trazem algum manual, mas o pior de tudo é que você nunca consegue catalogar seu sentimento, não consegue achar uma categoria, um remédio para se achar, se curar. Falam como é fase, como temos que crescer e viver ainda, mas estranhamente não dizem como. E isso dói. Porque teremos que descobrir sozinhos. Isso é triste. Isso me comove, me abala. Eu gostaria de te dizer que sentirei falta sua mas tenho medo como absorverá essas palavras. Não pretendo te machucar. Nunca pretendi isso a ninguém; imagina à um coração tão doce... Me sinto culpada por algo que ninguém deveria ser culpado. Queria te fazer notar que você pode trazer muito ao mundo, talvez até um mundo privado de alguém. Você tomará seu caminho, e eu vejo luz nele, vejo sucesso... Alegria. Te desejo alegria, porque parece que assim como eu e muitos outros, sabes o que é a dor. E o maior de tudo é que sabes sorrir essa dor de uma forma simplória, bonita até. Te desejo um amor puro em retorno, mesmo que esse venha de si mesmo, e não se engane porque essa é a maior forma de amor: poder amar a si e conseguir amar de forma tamanha os outros. Que ame. Que sofra. Mas não perca seu sorriso, ele é a prova de como no mundo existe pessoas adoráveis como você.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Gatos vadios

E não era só uma questão de desistir. Não era só pirraça. Eu disse que não encontraria o que me deu em lugar algum mais. Eu estava ciente disso. Só que você me machuca quando some, quando me deixa esperando. E não sumimos por completo ainda, porque nossos corpos não deixam. Nossos desejos são maiores. É necessário só um abraço seu, uma insinuação qualquer e eu me arrepio. E isso só serviu para reforçar mais ainda que eu não deveria te deixar ir. Eu não deveria mostrar meus dramas e minhas dores, dizer que você é o causador. Aprendi a lidar melhor com elas. Aprenderei a lidar melhor com nós dois. Você é a quem escrevi trinta cartas em alguns anos. São poucas, mas a cada uma delas eu deixava um pouco de mim. Você é quem, mesmo que não as responda, as guarda carinhosamente. Você é quem eu mimei, é quem deixa ser mimado. Você é quem sabe que volto pra você, todas as vezes. Eu volto, mesmo com o nó na garganta, com os caminhos duvidosos guardados dentro do bolso, mesmo com ego ferido. Eu volto. Porque você está lá esperando. Nós nos construímos, nós sofreu quedas, abismos e subidas. Esse nós está preso numa montanha russa com muitas oscilações. Esse nós é muito mais do que a felicidade e infelicidade pode decidir por acabar ou não. Esse nós tem história. Esse nós não vale meu pequeno e ressentido ego. Esse nós vale tudo, vale esforços, vale lágrimas, vale sorrisos. Não posso te deixar ir porque é contigo que aprendo. É contigo que posso extrapolar. Não posso porque quando ouço sua respiração pesada, eu sei que é tudo que preciso ouvir. Quando te sinto, revivo nossos anos em alguns momentos. Quando me toca eu estremeço, por medo, por felicidade. Se soubesse da metade do que me causa... não me deixaria sumir. O nós somos assim, gatos vadios, dissimulados que voltam, que voltam. Sempre voltam.

I have you

Algo que eles não dizem sobre a dor de perder alguém: não, ela não vai embora, ela não se torna uma dor diferente, ela não ameniza. Não adianta. Não tem esse papo de que crescemos e aprendemos a enfrentar a vida. Porque, nego, simplesmente não dá. Fingimos suportar, só isso. Fingimos olhar nos olhos das outras pessoas na rua, fingimos que não vemos nossos reflexos, nossos olhos marejados refletidos. Cada um carrega uma dor única, mas não tão leve cada qual a sua maneira. São sempre pesadas, são nosso demônios, são as dores que tentamos afastar quando estamos sorrindo. São as dores que tentamos lavar quando estamos chorando de baixo do chuveiro. São as dores que torcemos que ninguém ouça seu soluço, porque quem quer que apareça atraído pelo barulho, não vai entender que precisamos disso. Desse choro silencioso, porque é tudo que resta, é tudo o que a dor deixou pra trás.
Não. Minto. Não é tudo. Não posso deixar a dor ficar com tudo. Não dessa vez. Temos as memórias, temos as lembranças doídas... temos os amigos. Temos com quem compartilhar a dor. Temos quem pode enxugar nossas lágrimas. Fico tão feliz em ter eles. Eles que parecem carregar lenços nos bolsos todas as vezes que pareço fraquejar. Droga. Eu não deveria estar derrubando essas lágrimas. Eu disse que ficaria bem. Eu disse. Eu sei que vou ficar. Eles estão comigo. Tenho eles. E isso a dor não vai tirar. Não deixarei.

domingo, 29 de março de 2015

Thank you for the enough

Algo está me fazendo pensar que isso não vai dar em lugar algum. Estou com medo de ter certeza. Mas hey... Não vou fraquejar agora. Não agora. Eu bem venho a te agradecer. Você chegou em um momento oportuno. De certa forma, você como outros, me salvaram. É, isso mesmo. Obrigada por me salvar, por me levantar e me dar as rédeas da minha vida. Obrigada por mostrar que a transição entre menina e mulher é tênue, mas que de uma forma ou outra é uma responsabilidade minha, é um querer meu. Você avassalou a minha capacidade de sentir coisas que nem sabia que eu poderia sentir. Você é intenso tão quanto eu sou. Eu sabia disso, só não sei se sabe disso. Somos garotos, entramos em algo perigoso. Algo em que poderia doer nos dois caminhos. Talvez seja esse medo que esteja nos levando pra outros lugares. Mas, cara... Obrigada. Você foi uma coisa só minha. Perdoe me se estou te usando como algo pra me fortalecer, perdoe me se não concorda com isso, mas preciso admitir que tudo isso me salvou. Houve momentos que depois de me ver jogada ao mais sujo fim do poço, eu decididamente me atiraria do topo se alguém tentasse me puxar e depois largasse minhas mãos. Por momentos achei que seria justamente o que você faria. Você me deu mais do que isso, me deu as mãos naquela escuridão e me mostrou a saída que eu poderia tomar por mim mesma. Obrigada por ter me dado o suficiente. É isso, tudo o que precisei era ver o suficiente. E você me mostrou.

terça-feira, 24 de março de 2015

And now what?

E agora o quê? Estamos nos segurando por uma respiração presa. Ninguém quer dar o veredicto final. Isso se houver um. Ninguém quer pensar demais, ninguém quer largar mão do ego. Consegue se lembrar das palavras doces, das promessas que pareciam vir de filmes de romance? Há vestígios dessas lembranças por aqui ainda. Parece que isso tudo foi azedando com o tempo, como se ninguém quisesse curar, carregar essas lembranças mais. Eu sabia que as coisas eram perecíveis, sabia mesmo. Só não sabia que eramos capazes de chegar a tal ponto de tal maneira que me fizesse me sentir boba por não me preparar para o perecível. Eu te disse certa vez que pra ter graça, pra ter significado, tudo precisa acabar eventualmente. O que eu não disse é como isso dói, como isso me assusta. E agora eu quero muito consertar algo, mas não sei onde encontrar em nós o que deve ser feito. A bem da verdade estou com medo de nos consertar e logo depois nos quebrarmos, por outro lado, estou com medo de separar nossas peças para que achem o seu conserto por si próprio. Realmente não sei, se tudo se resolveria, se pararia de doer. Lógico que não vai parar de doer, que boba sou em pensar o contrário. Você foi tempestade, foi terremoto em mim. Você esta acima de qualquer escala para danos. Lembro que me danificou porque eu costumava a sorrir sem avisos, você costumava dizer que tudo o que eu fazia era sorrir. E por vezes me senti feliz com isso. Em ser a parte na sua vida que só sorri. O mundo, você, nós foram pedindo coisas pesadas, coisas que só meu sorriso não aguentaria. Então ele foi esmorecendo, foi ficando frágil, e eu por pedir ajuda. Acho que demorei demais. E agora, o que vem depois de agora, de ontem e de depois?  O que vem depois de nós?

A secret from my secret.

I just can't let you in. Just can't. And god knows how badly I want this. I can't because we are hurt. These marks are fresh. I have to confess that I'm afraid off what could happen if I had able to let you in. I'm afraid off what could happen after. Seems that would be like the same, like what happens with everybody. Probably we would try heal the marks of each other. But then, we probably would do new one on ourselves skins and hearts. We would be worn, once again. On the other hand, what I'm really scared about, is to think that we could work. I get scared to think that we could have no expectations, about anything, about us. Again I'm against the wall, be cause I can't and don't know how to tell you this. All what my mind can think its that we have to be done eventually, that to be perfect we have to put a end on it. I'm scared about what my feelings could do to me. I can't, just can't be hurt again. I would not know how to react to pain, not again, not by now. I'm dying of desire to just let you in, just let you know that I need attention, but I can't fuck say what's going on in your mind. I can't take a wrong step. I can't make that and mess up with everything or mess up with the few we have of each other. Even admitting that we have to put a end on it, on us, I'm terrifying that I could lost the control your have on me. That I could lost the power, the feel, your hands, your hair, your mouth... God, I can't give me this luxury to wish you more that I can't have. You are my secret, and I keep a secret from my secret. What tells me that one way or another, one of then will discover about the other.   

Pay your debts, girl.

Eu deveria sentir algo. Talvez algo mais definido, mais característico. O problema é que não sei em que parte do mundo, da minha história eu me perdi. Se é que me perdi. Eu deveria chorar. Eu deveria entender o que está acontecendo, pelo menos comigo. Contudo, só me deixo carregar pelo peso dos dias, pela inércia e procrastinação. Sinto que vou me afogar em algum momento desses dias.
Em certos momentos sou audaciosa o suficiente pra dizer que você não deveria ter me negligenciado. Você me deixou só com minha mente. Com minha mente fragmentada, sedenta por algo. Qualquer algo. Eu lhe tinha dito que precisava de ajuda. Que você poderia me salvar. O que foi aquilo na sua voz, quando isso aconteceu? Não, espere... Não tinha voz, não tinha você, não tinha vontade. Você só ouviu ou fingiu me ouvir. Não, não posso colocar qualquer culpa em qualquer lugar que não seja em minhas mãos. Essa não seria eu. Não é? Talvez eu tenha só engolido a culpa com um pouco de café e vodca. Você me deixou a procura de algo. O mais triste: não posso encontrar esse algo em lugar algum. Não mais. Você me deu tudo e depois me puxou o tapete debaixo dos pés. Em algum momento eu devo ter batido a cabeça, e talvez até meu coração tenha rolado pra fora de mim nesse meio tempo. Você me negligenciou. Eu estava fraca demais. Sou fraca demais. A culpa é minha, não é? Eu fui fraca, eu tentei me achar, eu tentei me levantar... Escolhi caminhos duvidosos pra achar a saída. E eu continuo no escuro. Você quebrou minhas lâmpadas. Eu choro um choro sem lágrimas agora. Eu sorrio um sorriso sem alegria. Eu deveria ter te dado o mundo, todo o ele porque o meu parou de ser suficiente. Eu deveria ter feito tanto que agora me pergunto se tivesse feito se faria mesmo diferença. No final, a última coisa que eu deveria não fazer é  te machucar, então me dê a culpa. Culpe minha fraqueza, culpe meu amor insaciável, culpe minha consciência furtiva, culpe minha reta razão, culpe me! Porque será só isso que restará ao meu ego, que até no final tentei te proteger. Oh, deuses, eu deveria tanto que tudo que devo agora são as prestações do amor no meu coração por você. Quanto tempo levarei pra me livrar dessa dívida?

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Its me again...

Oi, sou eu de novo... É, eu mesmo. Aquele desconforto, aquela sensação de que seu estômago deu um nó. Parece que algo tá dando errado não é mesmo? Mas o que foi que aconteceu se eu te mandei ser feliz e não me sentir de novo? Como é? Não sabe se é você mesma que me traz de volta ou se são os outros? Pois é, parece que essa pergunta não tem um resposta plausível ou sinal de que dê em algum lugar. E é horrível não é? Essa sensação de que algo esta quebrado e que você esta desgastada... Você parece não brilhar mais, não como deveria brilhar, não como você brilhava antes pra ele. Ninguém teve tempo pra chorar, não é? Por isso está escrevendo... Parece que ele também não teve tempo de se abrir e te mostrar que precisa de você. Você acha que é só isso? Que ele precisa precisar de você... Da maneira como você quer? Parece meio egoísta agora, não? Sim. Talvez não seja só você que esteja desgastada, talvez todos estão mas estão fazendo da mesma forma que você... Estão se escondendo, estão gritando quando há muito barulho, estão tentando abrir os olhos quando está escuro ou até mesmo chorando quando estão de baixo d'agua. Me diz... Como é que pode a dor ser tão forte assim e chegar ao ponto que pedir ajuda não parece algo palpável? Sim, entendo... A dor é palpável mas não da pra guardar ela num pote, intacta e mostrar a alguém, não é verdade? E me parece estranho porque é um único termo pra descrever a particularidade de cada um... Tem sido assim por um bom tempo. Bem, me parece que está acabando de escrever... Mas parece que eu vou continuar voltando não é? Entendo... Sei que vai ser difícil me manter afastada mas tente se lembrar que talvez eu não seja a única coisa que você tem pra se agarrar. Tente me manter afastada... Porque eu sou o tipo de sensação que não deveria ocorrer frequentemente assim nas pessoas, eu sempre venho acompanhada da mudeza, da solidão e de lágrimas salgadas. Tente se lembrar... Eu, a tristeza, a vulnerabilidade, a impotência, a mudeza escandaloza, chame do que quiser... Não sou algo saudável pra me ter por perto toda vez que esta sozinha. Tome cuidado, sorria mais e por favor não me traga de volta. Não quero danificar mais nada mesmo esse sendo meu papel. Hilário, estou com crise de identidade e função também, me parece. Esconda me nos seus sorrisos até não se lembrar mais de mim.