A morte me olha nos olhos todos os dias, e ela é linda. Mas é uma beleza que não posso ceder. Há paz e calmaria, mas preciso fazer isso sozinha em minha mente. Todos os dias me encontro com ela e a chamo para um café e acendo um cigarro.
Ela tem tantos argumentos silenciosos. Não tenho medo. Mas preciso sentir mais do que o vazio que eu cultivo e deixo crescer no vão, no fundo da mente.
A morte veio incontáveis vezes. Que beijo doce, que aroma tentador. Em um ato somente, em uma decisão somente.
O juramento da calmaria. Eu sou furacão. O silêncio me consome, por isso cultivo tanto barulho.
É uma dança contínua. O medo não me assusta mais, por isso preciso de outra direção. Todos os dias quando acordo a olho nos olhos e agradeço a visita.
Com o tempo, preciso aprender a me acostumar com sua presença. Eu não posso apressar o que ela veio fazer. Ela só está aqui para lembrar do que precisa ser feito ainda.
O dia que ela for embora será para irmos juntas, mas antes preciso me acostumar com sua presença e não oferecer a mão primeiro.
A mão estendida será a dela. Não a minha.
A calmaria vem de outros lugares também.