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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

The temptation

A morte me chama muitas vezes. Incontáveis vezes. E eu preciso resistir aos chamados dóceis. Por muitas vezes tenho sido bruta com a vida e o que é viver.

A morte me olha nos olhos todos os dias, e ela é linda. Mas é uma beleza que não posso ceder. Há paz e calmaria, mas preciso fazer isso sozinha em minha mente. Todos os dias me encontro com ela e a chamo para um café e acendo um cigarro.

Ela tem tantos argumentos silenciosos. Não tenho medo. Mas preciso sentir mais do que o vazio que eu cultivo e deixo crescer no vão, no fundo da mente.

A morte veio incontáveis vezes. Que beijo doce, que aroma tentador. Em um ato somente, em uma decisão somente.

O juramento da calmaria. Eu sou furacão. O silêncio me consome, por isso cultivo tanto barulho.

É uma dança contínua. O medo não me assusta mais, por isso preciso de outra direção. Todos os dias quando acordo a olho nos olhos e agradeço a visita. 

Com o tempo, preciso aprender a me acostumar com sua presença. Eu não posso apressar o que ela veio fazer. Ela só está aqui para lembrar do que precisa ser feito ainda. 

O dia que ela for embora será para irmos juntas, mas antes preciso me acostumar com sua presença e não oferecer a mão primeiro.

A mão estendida será a dela. Não a minha.

A calmaria vem de outros lugares também.