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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

sábado, 4 de abril de 2015

Confesso

Confesso. Sinto medo. O pior é a aflição de não saber definidamente o que será, o que acontecerá. Sinto medo de estar envolta demais nos seus cabelos, no seu cheiro. E preciso de algo pra definir, qualquer coisa. Porque estou me obrigando a enfrentar definições. Quando entrei nisso sabia que teriam apenas duas, e parece que estou no meio disso tudo. Não sei pra que lado isso vai cair. Eu não deveria estar escrevendo sobre isso. Sobre essas lembranças que me pegam e me bofeteiam. Eu sabia dos perigos, sabia mesmo. Enfrentei alguns, me deparei com alguns medos. E o que me parece é que preciso de mais para enfrentar. Estou gostando disso porque sei que uma hora pode saturar. Como se eu precisasse de mais para tirar o fim de vista. Fico triste ao saber que espero pelo abismo. Do ponto onde olharei para ele e esperarei que me olhe de volta(vide Nietzsche). O medo é de descobrir que ele confirme tudo o que desconfiava. O medo é que eu esteja preparada para qualquer confirmação. Estou lutando contra forças invisíveis, difíceis de verificar. Estou aflita e extasiada por acreditar que eu possa me preparar por duas situações diferentes. Bem, será que no fim serão tao diferentes assim?

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