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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Madness

E as pessoas vão a loucura quando se tira algo que elas deveriam ter total controle. Tente tirar o controle e observação delas sobre qualquer determinado processo e elas enlouquecem. Eu enlouqueceria. Por diversas vezes me vi jogada nesse moinho que é o processo das coisas. E a culpa vinha, o medo, o drama... e isso doía. Outra, nada disso não justifica nada. Que absurdo é viver uma vida controlando processos incontroláveis, tentando justificar ou não cada escolha. Isso faria sentido se tudo isso tivesse ao menos um sentindo, não é? Digo, para que viemos a este mundo? Por que há sofrimento? Por que insistem dizendo que devemos aprender sofrendo? Eu não entendo. Apesar de sim, já ter aprendido algumas coisas, e essas doeram execravelmente. Talvez o que justifique o passar de tudo isso seja uma cega e falsa crença que as pessoas carregam consigo, em relação a todas as coisas e pessoas. Imaginem, como poderíamos viver sem acreditar em algo? Mesmo que falso? E há essa crença em coisas falsas que sabemos disso mas não admitimos. Eu não admito. Eu não fecho os olhos. Não me revolto. Eu só passei a entender. Entendo pouco do jogo que é isso tudo, dessa relação com a vida. Mas não me importo mais. As vitórias, as perdas... isso passou a não me comover. Só entendo. Entendo que também não entendo de nada. Entendi a partir de quando abri mão do processo. Eu enlouqueci e morri para aprender ver. A maior parte das pessoas só enlouquecem. Não ouso dizer que morri para renascer. Quão misticista isso não soaria, hã? Agora só entendo que morro todos os dias, morro um pouco a cada dia para tentar abrir mão da loucura. Morro de medo. Morro apostando minha vida. Minha confiança. As coisas morrem, as pessoas morrem. Porque eu não haveria de entender que o processo também deveria morrer? Não completamente mas na sua complexidade. E a vida sem complexos vira algo morno. Eu não ligo mais para os extremos. Eu só agora entendo o motivo deles existirem. Mas não me comovem, não mais.

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