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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

segunda-feira, 30 de março de 2015

Gatos vadios

E não era só uma questão de desistir. Não era só pirraça. Eu disse que não encontraria o que me deu em lugar algum mais. Eu estava ciente disso. Só que você me machuca quando some, quando me deixa esperando. E não sumimos por completo ainda, porque nossos corpos não deixam. Nossos desejos são maiores. É necessário só um abraço seu, uma insinuação qualquer e eu me arrepio. E isso só serviu para reforçar mais ainda que eu não deveria te deixar ir. Eu não deveria mostrar meus dramas e minhas dores, dizer que você é o causador. Aprendi a lidar melhor com elas. Aprenderei a lidar melhor com nós dois. Você é a quem escrevi trinta cartas em alguns anos. São poucas, mas a cada uma delas eu deixava um pouco de mim. Você é quem, mesmo que não as responda, as guarda carinhosamente. Você é quem eu mimei, é quem deixa ser mimado. Você é quem sabe que volto pra você, todas as vezes. Eu volto, mesmo com o nó na garganta, com os caminhos duvidosos guardados dentro do bolso, mesmo com ego ferido. Eu volto. Porque você está lá esperando. Nós nos construímos, nós sofreu quedas, abismos e subidas. Esse nós está preso numa montanha russa com muitas oscilações. Esse nós é muito mais do que a felicidade e infelicidade pode decidir por acabar ou não. Esse nós tem história. Esse nós não vale meu pequeno e ressentido ego. Esse nós vale tudo, vale esforços, vale lágrimas, vale sorrisos. Não posso te deixar ir porque é contigo que aprendo. É contigo que posso extrapolar. Não posso porque quando ouço sua respiração pesada, eu sei que é tudo que preciso ouvir. Quando te sinto, revivo nossos anos em alguns momentos. Quando me toca eu estremeço, por medo, por felicidade. Se soubesse da metade do que me causa... não me deixaria sumir. O nós somos assim, gatos vadios, dissimulados que voltam, que voltam. Sempre voltam.

I have you

Algo que eles não dizem sobre a dor de perder alguém: não, ela não vai embora, ela não se torna uma dor diferente, ela não ameniza. Não adianta. Não tem esse papo de que crescemos e aprendemos a enfrentar a vida. Porque, nego, simplesmente não dá. Fingimos suportar, só isso. Fingimos olhar nos olhos das outras pessoas na rua, fingimos que não vemos nossos reflexos, nossos olhos marejados refletidos. Cada um carrega uma dor única, mas não tão leve cada qual a sua maneira. São sempre pesadas, são nosso demônios, são as dores que tentamos afastar quando estamos sorrindo. São as dores que tentamos lavar quando estamos chorando de baixo do chuveiro. São as dores que torcemos que ninguém ouça seu soluço, porque quem quer que apareça atraído pelo barulho, não vai entender que precisamos disso. Desse choro silencioso, porque é tudo que resta, é tudo o que a dor deixou pra trás.
Não. Minto. Não é tudo. Não posso deixar a dor ficar com tudo. Não dessa vez. Temos as memórias, temos as lembranças doídas... temos os amigos. Temos com quem compartilhar a dor. Temos quem pode enxugar nossas lágrimas. Fico tão feliz em ter eles. Eles que parecem carregar lenços nos bolsos todas as vezes que pareço fraquejar. Droga. Eu não deveria estar derrubando essas lágrimas. Eu disse que ficaria bem. Eu disse. Eu sei que vou ficar. Eles estão comigo. Tenho eles. E isso a dor não vai tirar. Não deixarei.

domingo, 29 de março de 2015

Thank you for the enough

Algo está me fazendo pensar que isso não vai dar em lugar algum. Estou com medo de ter certeza. Mas hey... Não vou fraquejar agora. Não agora. Eu bem venho a te agradecer. Você chegou em um momento oportuno. De certa forma, você como outros, me salvaram. É, isso mesmo. Obrigada por me salvar, por me levantar e me dar as rédeas da minha vida. Obrigada por mostrar que a transição entre menina e mulher é tênue, mas que de uma forma ou outra é uma responsabilidade minha, é um querer meu. Você avassalou a minha capacidade de sentir coisas que nem sabia que eu poderia sentir. Você é intenso tão quanto eu sou. Eu sabia disso, só não sei se sabe disso. Somos garotos, entramos em algo perigoso. Algo em que poderia doer nos dois caminhos. Talvez seja esse medo que esteja nos levando pra outros lugares. Mas, cara... Obrigada. Você foi uma coisa só minha. Perdoe me se estou te usando como algo pra me fortalecer, perdoe me se não concorda com isso, mas preciso admitir que tudo isso me salvou. Houve momentos que depois de me ver jogada ao mais sujo fim do poço, eu decididamente me atiraria do topo se alguém tentasse me puxar e depois largasse minhas mãos. Por momentos achei que seria justamente o que você faria. Você me deu mais do que isso, me deu as mãos naquela escuridão e me mostrou a saída que eu poderia tomar por mim mesma. Obrigada por ter me dado o suficiente. É isso, tudo o que precisei era ver o suficiente. E você me mostrou.

terça-feira, 24 de março de 2015

And now what?

E agora o quê? Estamos nos segurando por uma respiração presa. Ninguém quer dar o veredicto final. Isso se houver um. Ninguém quer pensar demais, ninguém quer largar mão do ego. Consegue se lembrar das palavras doces, das promessas que pareciam vir de filmes de romance? Há vestígios dessas lembranças por aqui ainda. Parece que isso tudo foi azedando com o tempo, como se ninguém quisesse curar, carregar essas lembranças mais. Eu sabia que as coisas eram perecíveis, sabia mesmo. Só não sabia que eramos capazes de chegar a tal ponto de tal maneira que me fizesse me sentir boba por não me preparar para o perecível. Eu te disse certa vez que pra ter graça, pra ter significado, tudo precisa acabar eventualmente. O que eu não disse é como isso dói, como isso me assusta. E agora eu quero muito consertar algo, mas não sei onde encontrar em nós o que deve ser feito. A bem da verdade estou com medo de nos consertar e logo depois nos quebrarmos, por outro lado, estou com medo de separar nossas peças para que achem o seu conserto por si próprio. Realmente não sei, se tudo se resolveria, se pararia de doer. Lógico que não vai parar de doer, que boba sou em pensar o contrário. Você foi tempestade, foi terremoto em mim. Você esta acima de qualquer escala para danos. Lembro que me danificou porque eu costumava a sorrir sem avisos, você costumava dizer que tudo o que eu fazia era sorrir. E por vezes me senti feliz com isso. Em ser a parte na sua vida que só sorri. O mundo, você, nós foram pedindo coisas pesadas, coisas que só meu sorriso não aguentaria. Então ele foi esmorecendo, foi ficando frágil, e eu por pedir ajuda. Acho que demorei demais. E agora, o que vem depois de agora, de ontem e de depois?  O que vem depois de nós?

A secret from my secret.

I just can't let you in. Just can't. And god knows how badly I want this. I can't because we are hurt. These marks are fresh. I have to confess that I'm afraid off what could happen if I had able to let you in. I'm afraid off what could happen after. Seems that would be like the same, like what happens with everybody. Probably we would try heal the marks of each other. But then, we probably would do new one on ourselves skins and hearts. We would be worn, once again. On the other hand, what I'm really scared about, is to think that we could work. I get scared to think that we could have no expectations, about anything, about us. Again I'm against the wall, be cause I can't and don't know how to tell you this. All what my mind can think its that we have to be done eventually, that to be perfect we have to put a end on it. I'm scared about what my feelings could do to me. I can't, just can't be hurt again. I would not know how to react to pain, not again, not by now. I'm dying of desire to just let you in, just let you know that I need attention, but I can't fuck say what's going on in your mind. I can't take a wrong step. I can't make that and mess up with everything or mess up with the few we have of each other. Even admitting that we have to put a end on it, on us, I'm terrifying that I could lost the control your have on me. That I could lost the power, the feel, your hands, your hair, your mouth... God, I can't give me this luxury to wish you more that I can't have. You are my secret, and I keep a secret from my secret. What tells me that one way or another, one of then will discover about the other.   

Pay your debts, girl.

Eu deveria sentir algo. Talvez algo mais definido, mais característico. O problema é que não sei em que parte do mundo, da minha história eu me perdi. Se é que me perdi. Eu deveria chorar. Eu deveria entender o que está acontecendo, pelo menos comigo. Contudo, só me deixo carregar pelo peso dos dias, pela inércia e procrastinação. Sinto que vou me afogar em algum momento desses dias.
Em certos momentos sou audaciosa o suficiente pra dizer que você não deveria ter me negligenciado. Você me deixou só com minha mente. Com minha mente fragmentada, sedenta por algo. Qualquer algo. Eu lhe tinha dito que precisava de ajuda. Que você poderia me salvar. O que foi aquilo na sua voz, quando isso aconteceu? Não, espere... Não tinha voz, não tinha você, não tinha vontade. Você só ouviu ou fingiu me ouvir. Não, não posso colocar qualquer culpa em qualquer lugar que não seja em minhas mãos. Essa não seria eu. Não é? Talvez eu tenha só engolido a culpa com um pouco de café e vodca. Você me deixou a procura de algo. O mais triste: não posso encontrar esse algo em lugar algum. Não mais. Você me deu tudo e depois me puxou o tapete debaixo dos pés. Em algum momento eu devo ter batido a cabeça, e talvez até meu coração tenha rolado pra fora de mim nesse meio tempo. Você me negligenciou. Eu estava fraca demais. Sou fraca demais. A culpa é minha, não é? Eu fui fraca, eu tentei me achar, eu tentei me levantar... Escolhi caminhos duvidosos pra achar a saída. E eu continuo no escuro. Você quebrou minhas lâmpadas. Eu choro um choro sem lágrimas agora. Eu sorrio um sorriso sem alegria. Eu deveria ter te dado o mundo, todo o ele porque o meu parou de ser suficiente. Eu deveria ter feito tanto que agora me pergunto se tivesse feito se faria mesmo diferença. No final, a última coisa que eu deveria não fazer é  te machucar, então me dê a culpa. Culpe minha fraqueza, culpe meu amor insaciável, culpe minha consciência furtiva, culpe minha reta razão, culpe me! Porque será só isso que restará ao meu ego, que até no final tentei te proteger. Oh, deuses, eu deveria tanto que tudo que devo agora são as prestações do amor no meu coração por você. Quanto tempo levarei pra me livrar dessa dívida?