Não poderiamos ser aqueles que se entendem, que trocam olhares e ali
mesmo compreendem os pensamentos ditos. Não poderiamos ser aqueles que caminham
de mãos dadas pela manhã nos bosques como John e Yoko faziam. Não poderiamos
ser aqueles que sacrificam-se para provar-se digno um do outro, aqueles que
sempre arderiam por dentro pelo sentimento que consome, como Cathy e Heatcliff.
Não poderiamos ser aqueles que se etregam e desmistificam, mesmo em cartas,
como Ana e Pedro. Não poderiamos ser aqueles criminosos e assassinos que faziam
o sentimento um pelo outro, 'inocentizar' toda a cena, como Hannah e Dexter.
Não poderiamos ser aqueles que desarmam as próprias convicções para dar espaço
a do outro, para ouvir e acrescentar, como... como exatamente quem não somos.
Não poderiamos ser, por já não sermos eles. Não posso por já não ser quem és, e
saberes quem és. Não posso por temer a repreensão, e não podes por não perceber
que repreendes. Não poderiamos ser mais, por não sabermos que poderiamos.
"Todo mundo esconde quem é pelo menos por um tempo, as vezes você enterra alguma parte de si mesmo tão profundamente que precisa ser lembrado que ela ainda esta lá, e as vezes o que voce quer, é só esquecer quem você é, por inteiro."-Dexter
...
"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
Em termos, hipocrisia
Soca meu estômago, chuta meus joelhos, sangra o meu nariz,
cospe saliva amarga na minha face, pega seu casaco e deixa-me
num porão vazio. Sem luz, sem ar, eu por me virar.
Levanto-me, seco o sangue, me apoio em uma cadeira velha.
Pego um pé de cabra; uso para sair de onde estou. Mas quando
você chega, me vê armada, me vê como ameça e me atira ao chão.
E num instante, não sou eu a vítima. Você sangra de um ferimento
que não tinha quando me deixou. Mas vejo sangue no pé de cabra...
Fui eu? O que eu fiz? Como poderia o machucar?
Te faço curativos. Você está bem.
Sai novamente, mas leva o pé de cabra. Eu me deito,
fecho os olhos, penso: "Ele está bem... esta tudo bem..."
cospe saliva amarga na minha face, pega seu casaco e deixa-me
num porão vazio. Sem luz, sem ar, eu por me virar.
Levanto-me, seco o sangue, me apoio em uma cadeira velha.
Pego um pé de cabra; uso para sair de onde estou. Mas quando
você chega, me vê armada, me vê como ameça e me atira ao chão.
E num instante, não sou eu a vítima. Você sangra de um ferimento
que não tinha quando me deixou. Mas vejo sangue no pé de cabra...
Fui eu? O que eu fiz? Como poderia o machucar?
Te faço curativos. Você está bem.
Sai novamente, mas leva o pé de cabra. Eu me deito,
fecho os olhos, penso: "Ele está bem... esta tudo bem..."
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