O pior pra mim sobre a dor e outros sentimentos negativos é que eles nunca se importam de viver concomitantemente com outros sentimentos. Sentir dor, tristeza e saudade ao mesmo tempo que estou feliz e orgulhosa. Parece tão mais pesado do que viver em plena dor e tristeza e saudade, cada um com seu tempo e espaço delimitado. Mas não, é tudo junto e ao mesmo tempo. Talvez o que doa mais é a consciência de si, do processo, do aprendizado, do que foi até aqui, do que é até aqui e do que será a partir daqui.
Eu sabia que chegaria esse dia e talvez por isso eu tenha me agarrado a todos os nossos dias juntos como se fossem os últimos. Que privilégio ter vivido tudo isso.
A dor de aprender tanto com alguém o que precisava aprender sem que nunca a gente tenha admitido que precisava muito ter aprendido tudo isso. A estar presente. A enfrentar o conflito, o medo. O desconforto. A razão. O sentimento. Aprender a ser divido pelos dois: racional e emocional; quando se achava inteiramente um só.
O seu cheiro está pela casa. Nas roupas. Na cama. Em mim. E pela primeira vez na vida eu não estou fugindo da dor, porque ela me lembra você, a gente, e eu não me atrevo nunca a virar os olhos pro que vivi e aconteceu. Pela primeira vez encaro meus sentimentos de frente e dou espaço para que eles sejam e aconteçam. Sem rodeios, sem limites. E tomo posse da minha consciência, do meu sentir e do meu processo. Penso na perda de algo que poderia ser, mas regogizo com o que ganhei: escolher a mim mesma. E no final aprendi o que evitei a vida toda: egoísmo está longe de ser a defesa de si mesmo e seus pilares.
Obrigada. Pelo que é. Pelo que foi. Pelo que fomos e pelo que seremos.
A beleza dessa dor e do amor é saber que eu faria tudo outra vez. E em todas as vidas eu te procuraria só pra ter a chance de te amar de novo. E de novo.