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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Holding

É estranho essa sensação de não ter pra onde correr. É estranho ter que segurar as pontas, sem deixar nada cair, sem nem eu mesma cair. Parece algo maduro mas no fundo é até um pouco assustador. Porque ante qualquer deslize vem o susto e a primeira reação pensada é se agarrar a algo. É nesse momento que percebe tudo que tem é você mesmo pra poder se agarrar. Esse tudo diz sobre o que é necessário. Tudo que tem a necessidade de se segurar por conta própria já que por experiência isso sempre pareceu mais estável. Pois convenhamos, não estamos a maior parte do tempo sozinhos com nós mesmos? Você precisa do mundo como base para reagir, e reage a esse mundo de acordo com experiências que tem. Entretanto no fundo tem algo solipsista que é ativado, porque ainda assim precisa se de uma individualidade composta de, sim dessas experiências, mas que também composta pelo conjunto que é você e essas experiências. Então você é um indivíduo composto de experiências mas ainda assim, você é uma coisa só? Pode ser.
Você não é completamente o que experienciou. Talvez necessesariamente sim, talvez você seja a forma como absorveu, reagiu e retrucou essas experiências.

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