Você está me salvando de novo. Parece que estou aproveitando muito de você, das memórias que tenho de ti. O que posso fazer se no meio disso tudo, são as mais felizes e por que não dizer, as mais saudáveis? Porque por mais que o barulho que fez em mim ou na vida pareça ser alto, você me arrancou de um silêncio perigoso. Você me tirou algumas dores, sem nem mesmo saber. Eu queria te dar algumas expectativas mas por mais incompreensível que tenha ficado, você se afastando por causa disso me ensinou a lidar contigo. E esse jogo que parece jogarmos é de longe a coisa mais saudável que tenho vivido. Ao invés de brincarmos como as pessoas convencionalmente fazem, de marcarmos começos, meio e fins tudo se resume nas nossas jogatelas, nos olhares sujos disfarçados de doçura e inocência. Ah, os sorrisos. Pra um bom observador isso seria a nossa abertura, o que nos entrega. Estou falando de nós sem nem mesmo saber e nem ter a obrigação de acreditar que isso exista. E não temos, a bem da verdade. E isso não dói, isso não machuca. Isso me ensina a lidar com minha autonomia por mais que ela pareça falha quando sinto você, mas ela está lá, ela está jogando contigo. E jogamos com cartas escondidas. Sem trapacear. Se soubermos jogar bem, esse jogo não precisa necessariamente ter uma temporalidade. Você vê? Não precisa de coisas definidas, não precisa de medos, não precisa de dor, não precisa de tédio. Só precisa do nosso desejo e isso meu caro, é uma delícia de se apostar.
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