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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A sua morte em mim

Eu ainda me lembrarei por algum tempo antes de dormir, sobre sua crença em um deus, que se tornava aos poucos um deus subjetivo, só seu. Imaginarei suas preces silenciosas. Escutarei o eco de algumas promessas, ditas somente numa noite, comentadas pouquíssimas vezes, e esquecidas com o tempo corrente. Os carros parecidos com o seu ainda me darão calafrios por algum tempo. A sonora gargalhada em que dava em poucas chances que pude causar em você, ainda retumbarão algumas noites na parede do meu quarto; do mesmo jeito daquele álbum do Pink Floyd que ouviamos no seu antigo quarto quando estávamos suados. Meu estômago revirará ao ouvir aquele álbum por algum tempo. A vontade de apagar, rasgar e queimar lembranças de viagens andarão algumas noites comigo. O desejo de assassinar as coisas e as atitudes que me lembrarão de você continuarão por alguns momentos. Então a necessidade de assassinar o que restar de você em mim, no meu quarto, no meu caminhar, na minha vida surgirá quando eu tragar alguns vários cigarros. A bebida, a fumaça, o cheiro de suor de alguns outros corpos o matará aos poucos para que então eu possa continuar sobrevivendo mais alguns dias. Até que isso tudo um dia vire lembranças que talvez ainda produza algum comichão, alguma coceira mas que acabarei não me importando se exista ou não; e somente saber que você ainda está vivo tirará alguma tristeza trágica que algumas mortes literais dão. Mas será só isso, sua morte metafórica não me importará mais.

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