E agora o quê? Estamos nos segurando por uma respiração presa. Ninguém quer dar o veredicto final. Isso se houver um. Ninguém quer pensar demais, ninguém quer largar mão do ego. Consegue se lembrar das palavras doces, das promessas que pareciam vir de filmes de romance? Há vestígios dessas lembranças por aqui ainda. Parece que isso tudo foi azedando com o tempo, como se ninguém quisesse curar, carregar essas lembranças mais. Eu sabia que as coisas eram perecíveis, sabia mesmo. Só não sabia que eramos capazes de chegar a tal ponto de tal maneira que me fizesse me sentir boba por não me preparar para o perecível. Eu te disse certa vez que pra ter graça, pra ter significado, tudo precisa acabar eventualmente. O que eu não disse é como isso dói, como isso me assusta. E agora eu quero muito consertar algo, mas não sei onde encontrar em nós o que deve ser feito. A bem da verdade estou com medo de nos consertar e logo depois nos quebrarmos, por outro lado, estou com medo de separar nossas peças para que achem o seu conserto por si próprio. Realmente não sei, se tudo se resolveria, se pararia de doer. Lógico que não vai parar de doer, que boba sou em pensar o contrário. Você foi tempestade, foi terremoto em mim. Você esta acima de qualquer escala para danos. Lembro que me danificou porque eu costumava a sorrir sem avisos, você costumava dizer que tudo o que eu fazia era sorrir. E por vezes me senti feliz com isso. Em ser a parte na sua vida que só sorri. O mundo, você, nós foram pedindo coisas pesadas, coisas que só meu sorriso não aguentaria. Então ele foi esmorecendo, foi ficando frágil, e eu por pedir ajuda. Acho que demorei demais. E agora, o que vem depois de agora, de ontem e de depois? O que vem depois de nós?
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