Minha mente vez ou outra tentara me alertar. "Você sabe que não deveria, que não deveria deixa lo entrar e se manter exposta." Num primeiro momento, eu dava ouvidos a ela. Num segundo momento quando ela tentara alertar novamente eu retorquia. "Silêncio, apenas observe, observe como ele dorme... Esse sentimento não é normal mas mesmo assim, que paz é essa ao observa-lo dormir qual a sinto?" E minha mente se calava, porque ela também reconhecia a insanidade daquilo tudo mas não lutava para que parássemos, ela entendia os riscos, todos eles e queria aceita-los mas não queria dizer. Num terceiro momento, esse o qual eu me via entregue, ela tentou uma vez mais. "Você disse que não deixaria isso acontecer novamente, você disse porque sabia como você é quando se afunda nesse sentimento... Você volta a ser criança novamente, você some perante esta coisa que sente e tenta trazer o mundo nas costas quando tenta alcançar tudo com o coração nas mãos tentando agradar, tentando proteger, tentando ser o que jamais ninguém seria. Veja bem, sei que isso é o que você é, mas você sabe que isso vai acabar contigo quando os riscos deixarem de ser suposição e acontecerem. Você sabe como abre espaço para ser o brinquedo no jogo, você sabe que não sabe jogar e ainda se permitiu ser engolida pelo que avisei que não deveria fazer." Eu entendia o medo de minha mente, eu sabia que era verdade, mas retorquia admitindo que sempre achei esse jogo sórdido demais, que não teria estômago para sempre estar armada, para querer controlar as coisas ou alguém. Pra mim isso nunca foi possibilidade, isso nunca foi um jogo. E não deveria ser. Meu ser não entende o mundo que vive apostando outras almas e outras máscaras. Minha mente entendia que isso era autopreservação, mas eu continuava dizendo que não daria pra viver calculando cada mínima ação, porque eu ainda acreditava na inocência latente em mim, que por muitas vezes tentei matar. Hoje ela está morta. Talvez eu tenha sido a culpada, talvez o mundo. Não importa. Contudo, gostaria de acreditar que tomei o último suspiro, que realmente a enterrei... Mas ainda há a terrível sensação e teimosia de que isso não termina, de que se ela, minha inocência, estivesse realmente morta, eu deveria não ser capaz mais de respirar.
Minha mente sabe o que a mata, o que a afoga e dizima cada fôlego para crer em algo, mas ela também sabe como isso se entorna, como isso vira um vício, um jogo de sobrevivência. Talvez seja isso o que tenha a mantido esse tempo todo; tudo que a mata ela ainda luta para transformar em vida. E então algo aconteceu; você.
Você ateou fogo em minha alma. Foram as chamas mais bonitas que eu pude contemplar. Elas a aqueceram, a deram forças e a lembraram de como ela poderia fazê las vivas, rubras, contagiantes. Mostraram na como eu fôra tão responsável por elas, pois eu sempre tive o combustível mas não a faísca necessária. E mesmo que tenhas ido, elas se mantém para me lembrar do que fui capaz de sentir.
Para acalentar agora minha alma, eu assimilo. Eu assimilo a dor, a paz, a intensidade de tudo. E como de costume ela se reconhece como é, ela se acostuma ser quem mantém se viva mesmo com as chamas que não vieram dela. Ela se mantém, por ela mesma e por tudo que ela preza. Ela caiu tantas vezes, tantas... mas ela sempre se lembra do último sussurro quando tudo o que há é escuridão: "Mais um dia, por favor... dê a si mesma mais um dia. Amanhã você faz todas as promessas de desistência, de sangria, de dor... postergue isso, até isso tudo não passar de apenas um sussurro... bem, apenas um sussurro como tudo isso é."
Minha mente sabe o que a mata, o que a afoga e dizima cada fôlego para crer em algo, mas ela também sabe como isso se entorna, como isso vira um vício, um jogo de sobrevivência. Talvez seja isso o que tenha a mantido esse tempo todo; tudo que a mata ela ainda luta para transformar em vida. E então algo aconteceu; você.
Você ateou fogo em minha alma. Foram as chamas mais bonitas que eu pude contemplar. Elas a aqueceram, a deram forças e a lembraram de como ela poderia fazê las vivas, rubras, contagiantes. Mostraram na como eu fôra tão responsável por elas, pois eu sempre tive o combustível mas não a faísca necessária. E mesmo que tenhas ido, elas se mantém para me lembrar do que fui capaz de sentir.
Para acalentar agora minha alma, eu assimilo. Eu assimilo a dor, a paz, a intensidade de tudo. E como de costume ela se reconhece como é, ela se acostuma ser quem mantém se viva mesmo com as chamas que não vieram dela. Ela se mantém, por ela mesma e por tudo que ela preza. Ela caiu tantas vezes, tantas... mas ela sempre se lembra do último sussurro quando tudo o que há é escuridão: "Mais um dia, por favor... dê a si mesma mais um dia. Amanhã você faz todas as promessas de desistência, de sangria, de dor... postergue isso, até isso tudo não passar de apenas um sussurro... bem, apenas um sussurro como tudo isso é."
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