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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A bit of

Esse cheiro... não me é estranho. É cheiro de chuva, mas tem algo mais... é a mediocridade.

É então quando tudo para de rodar que percebe que a humildade foi embora, dando lugar a mediocridade. A admissão do pouco quase nada que está bom, que não tem problema.
É a aceitação de ter pouco... pouco amor, pouca atenção, pouco interesse, pouca consideração, pouco tudo... e o que dói mais é ver que se sustenta as migalhas. Que se desespera por pouco e que acha o suficiente. Que quando consegue o pouco não vê que é o pouco do pouco. Que é pouco de mais.
Sei que aceita se o pouco pra fugir das expectativas, pra ignora-las talvez. Mas certos poucos, são ruins sendo poucos... É como se todos os poucos não te provessem o ar necessário.

E de fronte a alguns olhos, tudo será ingratidão... mas não chega a ser isso quando já não se luta pra ter mais. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Did you?

  Preciso escrever algo... não lembro me mais o quê. Por que você está aqui de novo, revirando e tumultuando tudo, aqui dentro de mim. Talvez eu fale daquele sonho novamente, mas porque o faria? Já lhe contei... mas sinto que não disse como me senti realmente, sonhando daquela forma. 
  Era como você tivesse mostrado-me quem era, como se confiasse você a mim. Tudo tão lento, mas pude sentir um sentimento tão diferente de todos já experimentados em sonhos. Porque era você ali, sem máscaras, você e eu, sendo somente nós. Era aquele abraço... como descrever aquilo? Como descrever o lugar o qual procura a vida toda para estar? Como descrever o mundo se tornar de duas pessoas apenas? Como descrever... aquela paz?  
  Já conseguiu sonhar sua paz? Já conseguiu sonhar e sentir algo indescritível mesmo inconsciente? Já conseguiu sonhar ser você mesmo? 

 

 Um dia... talvez não, talvez meus sentimentos não sejam tão palpáveis ao ponto de um dia descobrir como são, mesmo com esse estardalhaço que fazem... acho que não conseguirá ver o que tento te mostrar... o desespero, a ilucidez... o medo de não te ter. O medo de não te ter como tens a mim. 


Did you ever been in love? 

domingo, 8 de setembro de 2013

Sentidos


Visão. Audição. Por hora pensei que poderia sobreviver só com os dois.

Visão, de tudo que era e o que não era, que vivia e o que já não respirava; era algo sem expectativas.

Audição, era o mundo sem agonias, sem vazio, era eu e o vazio cheio, a despreocupação com satisfações.

Ambos, era o torpor, era a saudade de tudo que não existiu, de tudo que se tornaria, era a vontade de palpar a sensação de pairar sobre minha mente, era a realização desta. Foi minha mente quieta, ouvindo, vendo, respirando. E era o que ela pedia-me há tempos. Um pouco de ar.

Foi a sensação de não precisar me encontrar, não precisar entender nada, foi a necessidade de estar lá, foi a necessidade de não necessitar.

Não me libertei. Mas respirei, respiramos. Minha mente e eu. Fomos uma só. Nossos corações batiam rápido, mas era morfina sendo jorrada por todo eu.

Era o cheio sendo preenchido pelo vazio e vice-versa.

Eu era meus sentidos, e os meus sentidos eram eu. Eu era a brisa, o som, a imagem. O sorriso e os olhos marejados.
 
E agora... Agora é memória, entorpecida e camuflada apenas com a audição. Mas viva na visão da minha mente.