Tento encontrar a culpa em outros lugares, mas ela continua em minhas mãos... sem se mover. E dramaticamente, não consigo libertar-me dela. Em meus olhos se vê a inércia do mundo meu, uma desolação incoveniente, que me arremeça os frangalhos de minh'alma. A fraqueza me sonda. Poderia alguém em tal estado ainda continuar sorrindo? Continuo. A noite sem estrelas, fica insuportavelmente fria, sinto falta delas. A ignorância, me corta e dizima a vontade de lutar contra tudo novamente. As palavras saltitam de boca e boca, porém não chegam a mim formidavelmente. Me desligo, esqueço, mas mesmo assim elas ainda chegam em meus ouvidos. Ignoro. Mas me importo.
Meus olhos continuam pesados, minha sombra se distorce imutavelmente nos anteparos antigos. E as sombras estão por ai, espalhadas.
Espero, espero e espero o dia chegar. Mas meus olhos não se acostumam com a luz forte. Cego-me. E permaneço na escuro clamando em vão, a saída. Mas só encontro o vazio inerte, em minhas mãos frias. As lágrimas navalham o meu rosto acinzentado, pálido. As vozes voltam como facadas, desacerbadamente, me arruínam.
A tragédia se instala, e minha mente se apronta perante a dor, se refaz e sai sem despedidas desnecessárias. Em alguma parte, distante, abaixo do profundo abismo se finca, uma fresta da realidade inaudível. Contundente, o ego retorna. Prende e retrai cada forma de expressão. E então se esvai a necessidade de sentir de forma tépida, a razão, novamente.
A escuridão se prosta diante de meus olhos. Porém me acostumo a ela. Constrangida, já não absorve mais meu solo, e deixa-me dar passos largos.
Pois continuo a caminhar, contudo sem saber onde chegar.