E meus olhos estão cheios de novo. Admitindo mais uma vez essa redenção fugaz. Que se prosta em teimosia. Mas é mais forte que minha razão. Afinal do que adianta ela em frente a esses olhos castanhos?
Essa melodia devora minh'alma, a consome em demasia e lhe implora uma dança.
Entregas-te de boa maneira, porém severas. A escuridão ronda e o sorriso se prosta deixando nosso palco receptivo. A plateia não parece entusiasmada. Se levantam e vão. A melodia retorna somente a nós.
E ela escancara nossas almas, que antes não sabiam como. Tão são lindas que se fincam em próspero infinito amor. Tão são peças que se encaixam, que se descançam em fervilhões de pavores de ausência.
Severa noite, arrasta-se em pés de demora. Acorrenta-vos aos sonhos meus, de lúcidos desejos libertos, procuro-te. Em prontidão procuras por quem querida alma? Segredo. És a mim. Tu sorris.
Doce poeta. Enfermo por solidão maldita, lágrimas tangidas em tintas e papéis.
Óh, querida alma, liberta-nos. Traga suas cinzas, de papéis gastos em desamor. Trarei as minhas de desesperança. Então livraremos-nos de tão amarga angústia. E continuaremos a dançar. Não até que os aplausos aconteçam, mas até a música se acabar.