E lentamente esse medo a corrói. O medo de confiar em alguém. Novamente e ver seu coração se atirando na frente de um trem porque aquele é apressado demais, quer sentir demais, quer ter demais. Porque seu coração não sabe ter pouco, a culpa é dela porque deixou que o alimentassem com pouquíssimo. Ela ignorou, achou que ele fosse forte por aguentar uma dieta assim. Mas quanto mais ela o privava, ele queria. E ela não viu isso crescer. Só viu quando ele a devorou. E foi doloroso. Porque ele esta ensinando-a aos poucos não duvidar dele, mas a mente dela agora tem medo e receio. Ela tem medo em admitir que as coisas não serão mais as mesmas, mas ela tem esperanças, aquele sempre machuca estas. Sempre é uma briga feia. E ultimamente o medo vem ganhando todas. Ele é o pior porque a deixa vulnerável, mesmo quando ela quer ser forte. Ela quer aparentar ser, né? Esses sorrisos largos. Ah, acho que esse coração fareja poucas coisas, mentiras e fantasias. O sorriso dela anda pra fora porque quer que tenha testemunhas, assim ela pode correr sempre um pouco mais do medo.
"Todo mundo esconde quem é pelo menos por um tempo, as vezes você enterra alguma parte de si mesmo tão profundamente que precisa ser lembrado que ela ainda esta lá, e as vezes o que voce quer, é só esquecer quem você é, por inteiro."-Dexter
...
"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe
terça-feira, 26 de maio de 2015
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Mask
Um cigarro. Acende. Acende. Apaga. Tenta de novo. Acendeu. Traga. Um trago, traga um olhar. Sorri. Sorri. Gargalhada. Olha de novo. Foge do olhar. Sorri. Encara. Troca de cara. Conversa. Conversa. Fiada. Troca o fio da meada. Tagarela. Fala. Fala. Fingi escutar. Encara. Troca o olhar. Fumaça. Fumaça. Enche pulmão. Finge que real é melhor que ficção. Enche pulmão. Sai fumaça. Sai contensão. Contem o sentimento. Contensão de pensamentos. Acende. Acende. Tenta de novo. Cigarro aceso. Conversas sem peso. Nossos olhos uma tonelada de peso. Arqueia costas. Fumaça. Costas pesadas. Ombros pesados. Mundos em desgraça. Acende. Acende. Sorri. Tudo passa. Todo mundo vê. Ninguém enxerga. Todo mundo fala. Ninguém diz. Na máscara à base de compreensão, dissolve a quem vê. Mas quem olha pra ver?
terça-feira, 12 de maio de 2015
Achismo
Achei demais. Achei que tu ficarias. Achei que tu me confidenciarias não só teu corpo mas tua mente. Meu erro foi sempre achar demais. O erro foi achar que eu suportaria esse achismo. Que eu seria forte frente qualquer coisa. E você esta indo, de longe. Achei que eu partiria primeiro. Achei que saberia lidar com tudo. Mas tive muito tempo de ti pra mim. Talvez o mundo tivesse visto ai a injustiça. Talvez tu faças parte do mundo mesmo. Da mesma forma que acho que pertenço. Você me fez sonhar tanto e agora estas tão longe de mim. A culpa? Tem um lugar aqui pra ela, não se preocupe, eu cuido dela. Siga seu caminho. Eu tentarei o meu sem ti. Não prometo nada. Não prometo não me martirizar sempre, quando a culpa caberia a ti também. Mas vá tranquilo, saberei guardar melhor ela aqui comigo. Ela sempre foi companhia. Obrigada pelo seu tempo desprendido. Obrigada por ter ficado. Mas lamento por ir sem me fazer compreender-te. A vida se encarregou de ser subjugada mas ela subjugará assim mesmo.
domingo, 3 de maio de 2015
Sorry for your lost
Você me perdeu diversas vezes. Que agora seria até irônico você se dar conta disso. Você me perdeu nos detalhes que eu sempre via, que eu sempre queria que tu reagisse a eles, mas por preguiça ou antipatia ficava estático. Me perdeu todas as vezes que eu chorava por não me procurar, que preferia o seu ego à mim. Me perdeu todas as vezes que tudo o que eu tinha era solidão e tristeza mas você não era capaz sequer de levantar teus olhos e focar em mim, você não era capaz de me levar a sério. Parecia sempre um drama de adolescente e você não podia perder tempo com isso. Me perdeu todas as vezes que eu tentei te mostrar que eu realmente sofria, e que mesmo fosse o maior dos dramas possíveis eu só queria dizer que não te queria como platéia, nunca, eu queria te mesmo fosse como protagonista mas que fosse para me salvar. Contudo, de todas as perdas, de todas, eu vi que tinha me perdido quando ficou em silêncio quando eu fui forte o suficiente para pedir ajuda, para verbalizar, para ver que eu realmente precisava de ajuda. E foi ali, na sua falta de reação, no seu silêncio que eu me perdi a última vez por você. Ali eu vi que eu tinha chegado ao fundo do poço e não poderia te esperar para ajudar. Isso doeu. Isso me dilacerou. Porque eu continuei chorando. Até que eu aprendi. Aprendi a levantar os olhos sem esperar ver os seus para aprovar qualquer que fosse minhas atitudes. Até que aprendi a não importar com expectativas. Até que aprendi a suportar a temida rotina que não pudesse ter você. E a aprendizagem mais dolorosa é saber que em meio a isso tudo eu ainda não consigo ser egoísta e te mostrar a culpa, que ainda sou covarde e deixarei que tu vejas, que tu sintas e perceba a sua própria perda, talvez de forma semelhante da que me fez ver. Percebera no silêncio, na ida, na falta dos meus sorrisos, na minha falta. Encontrarás tua perda na minha ausência. Espero que seja tão forte como eu fui para sobreviver à isso. E desculpe me se eu não tiver mais paciência para sofrer e me ausentar. Desculpe me ser necessário eu não estar lá para ensinar te como proteger alguém, de forma maestral qual eu fiz todo esse tempo.