Estou indo. Estou partindo. Partirei em todos os sorrisos. Aprendi a amar meu sorriso. Aprendi talvez a incomodar com ele. Aprendi que essa dormência nas bochechas é uma coisa engraçadinha, mas agradável. Estou indo porque a porta ficou tempo demais aberta. Demorei porque não sabia se eu ficava e resfriava com a friagem ou me jogava porta afora com roupas de frio e tudo. Nunca gostei de metades ou mornos. Se um dia achei que sim, me enganei mal. Porque se tivesse enganado bem, seria mais visível a minha disposição no meio de tantas incertezas dos outros. Eu sei das minhas, sempre foram muitas mas sei lidar de tal forma com elas agora que talvez tenham me deixado mais apática. Decidi que tem portas demais abertas na minha vida. Vou fechar algumas delas, pegar um café bem quente e doce, e aproveitarei um pouco das coisas pelas janelas. Espero que minhas janelas estejam mais altas do que essas indecisões por ai.
"Todo mundo esconde quem é pelo menos por um tempo, as vezes você enterra alguma parte de si mesmo tão profundamente que precisa ser lembrado que ela ainda esta lá, e as vezes o que voce quer, é só esquecer quem você é, por inteiro."-Dexter
...
"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe
terça-feira, 28 de abril de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
Só deixar
Preciso aprender que esse tipo de sentimento vem de uma direção desgovernada, justamente na direção da minha mente bem alinhada, lê se aqui ironia. Vou dormir porque reconheço a grandeza desse sentimento que não ouso nomear ou dizer o vulgo nome. Sei o que é. Sei que o é numa estranha proporção. Sei que não verei mais desses por aqui, porque decidi que era por aqui mesmo que tinha o seu começo e sua partida. Não verei novamente porque unicidade é uma das poucas coisas que me abalam nesse mundo. Vou ficar por aqui, vendo a vida passar. Vendo a vida dos outros e reconhecer esse tipo de coisa por ai. Mas nunca vou sentir esse tipo de coisa por aqui, não de novo. Estarei vendo as coisas passarem, ora serei personagem, ora não. A vida é isso, talvez? Essas encenações e contra cenas bizarras. Deixarei de escrever sobre isso por ora. Preciso lembrar da unicidade e deixar isso aqui, por ali, por ai... Só deixar.
Quem?
E parece que me fez envelhecer. Não fisicamente. Parece teatro toda vez que dou risadas sonoras? Pareço uma adolescente com sentimentos extasiados, cheia de atenção? Talvez até concorde contigo. Mas isso sou eu afastando o tempo que tu me fizestes me envelhecer em pouquíssimo tempo. Não sei bem em que exatamente consiste essa velhice. Pareço reconhecer somente quando me vê acender um cigarro. É ali, naquelas fumaças que reconheço que passou por mim, que aquelas cinzas são as sombras dos meus metafóricos cabelos cinzas. Você me faz me sentir velha. Não sei se tive que cair, me levantar e cair de novo... Acho que porque quando eu caí de novo, eu pude achar meu apoio, eu pude me segurar, eu conhecia o caminho até o chão. Talvez isso não tenha me assustado. Só continuo surpresa pelo caminho que me reergui... Ah, se soubesse dos meus sorrisos largos quando me lembro de que me fizeram forte, que me deram uma mão firme e um abraço apertado que deixou meus pensamentos no lugar; Tempo o suficiente pra reconhecer o quanto vivi, mas o quanto sou tão inocentemente nova. Certeza que vou ralar os joelhos novamente, que cairei mais tantas vezes. Fico chateada porque gostaria que fizesse parte disso, que eu pudesse te ajudar com o que dói, com o que incomoda. Espero sinceramente, que não tenha se fechado dentro de si por medo, por qualquer que seja ele. Porque você não estaria sendo covarde, mas sim cruel com aqueles que te querem cuidar, vulgo meu ego, âmago, coração. Você tem parte aqui em mim. Só não acabe se assustando ou achando que poderá entrar sempre pela mesma porta. Porque da posição que te encaro agora, seria eu suficientemente egoísta pra isso não acontecer. Talvez eu seja fraca e descuidada, e eu queira que entre pela mesma porta. Talvez seja só eu querendo esconder o quanto te quero por aqui. Mas, ei.. Eu venho mudando. Espero que não se aborreça, espero que não me deixe ir embora. Espero que me deixe ficar. Mas não demore. Quando eu tenho autoconsciência, sou fria, sou egoísta. Defendo meu lugar, meu "querer" na mesma proporção que não se quer esperar. E se decidir que você vai só... Bem, espero que leve boas lembranças, espero que meus sorrisos não amarguem qualquer coisa. Engraçado é que esse amargo está nas nossas bocas com nicotina. E quem vai descobrir esse amargo de quem? Quem saboreará pecados novamente?
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Dark streets
Percebi que ando em ruas escuras sem medo mais. Sem medo de surpresas. Me sinto velha nesses momentos. Não sei se madura, mas parece que os anos pesam. Como se eu pudesse lidar com o medo de estranhos por perto. Talvez porque na metáfora que a vida é, você tivesse aparecido assim pra mim. Eu numa rua vazia e escura e você vindo na direção contrária. E era como se tudo o que eu pudesse pensar era ou que você seria uma ameaça, ou me deixaria aliviada e salva. Você demorou antes que aparentasse que faria algum desses movimentos. Por um momento você caminhou ao meu lado, conversando, construindo. Em outro momento você me segurava nos braços, em um outro momento breve me beijava. Me pergunto o que foi que houve pra sem aviso prévio me deixar no chão, sem olhar para trás e sem despedidas ou respostas sair caminhando na direção em que eu vinha. Jogada ao chão eu fiquei confusa, não pude ir na sua direção porque acabava de vir dela. Demorei um pouco pra perceber que quando tentei levantar com dificuldade eu tinha uma ferida. Não sei dizer se fora algum objeto pontiagudo ou só suas palavras que tinham me aberto daquela forma. Impossível. Porque você, quando veio, trouxe sem ver uma atadura, gazes e analgésicos pra uma dor que eu tinha. E então experimentei uma série de sentimentos confusos: raiva, desespero, alegria, alívio. Foi só depois que percebi que a dor da ferida anterior tinha parado. E o objeto com eu tinha me machucado estava em minhas mãos. Tinha sido eu o tempo todo. E te assisti indo. Agora estou sentada nessa rua um pouco menos escura do que estava, acendi um cigarro e agora estou esperando que como esse cigarro, essa esperança de que você volte, morra como essas cinzas. Algo que havia queimado fortemente, mas agora jaz em cinzas frias. Espero que a esperança queime e tome seu fim. Enquanto isso estou esperando o cigarro acabar para poder levantar e continuar na direção em que eu ia.
Sometimes
As vezes me pego pensando se ela se orgulharia de mim. Se onde quer que ela esteja, ela tenha medo de cada passo que tomo. Me olho no espelho e não sei se fico lisonjeada ou triste por ficar fisicamente cada dia mais parecida com ela. Ela era tão linda. Não que eu seja, mas me lembro dela ao olhar pra mim. Não sei se é uma bênção ou maldição. Talvez seja por isso que quando tudo desmorona fico tanto tempo encarando o espelho. Esperando ver o sorriso dela de novo. Esperando ouvir ou lembrar de como era a voz dela. É tão estranho quando lembro me dela. São lembranças que aparecem sem prévia. Mais estranho ainda é a sensação que nunca vai embora de que ainda verei ela, nem que por uma última vez. Fico esperando atender à campanhia e ser ela lá, com algumas sacolas do mercado. Ainda atendo o telefone apreensiva esperando que seja ela preocupada ou querendo só avisar algo mesmo. As vezes gostaria de sonhar todas as noites com ela, pra nunca ter de esquecer um detalhe dela se quer. E quando a casa fica vazia fico em silêncio esperando pra ver se ouço a voz dela, cantarolando algo ou só esperando que me chame pra qualquer coisa. As vezes quando vou dormir, faço um pouco de hora pra ver se ouço ela me mandar escovar os dentes. As vezes me sinto largada esperando que ela me xingue e me arrume. As vezes espero demais. As vezes sei que tem um pouco dela em mim quando faço algo bom. Quando faço alguém sorrir. As vezes vejo ela em corações bons. As vezes vejo ela em quem me protege e me abraça. As vezes sinto ela quando sinto medo e alguém pega minha mão. As vezes sinto ela quando tudo que mais preciso é sorrir e alguém me faz ficar sem fôlego. As vezes vejo ela no amor que tenho por outros e no amor que os outros tem por mim. E sempre sinto ela quando tenho uma amizade e amor verdadeiro por alguém. Porque isso... Isso eu nunca poderei esquecer: a forma como ela me ensinou a amar. E amo ela por isso.
terça-feira, 7 de abril de 2015
Go and good night, girl.
Ei garota... Hoje te permito tomar metade daquele comprimido pra uma noite sem sonhos, ou melhor, para uma noite dormida. Garota, vá, pode tomar não vou te recriminar nem impedir que o tome. Amanhã você precisa limpar a casa. Você precisa guardar ou jogar fora os objetos esparramados, mal cuidados. Precisa limpar o quarto da mente, pra poder descansar. Precisa lavar a cozinha para não se alimentar mais do que quer que seja que se alimentava. Limpe os filtros, os purificadores de ar. Você precisa de algo cristalino pra beber e respirar um ar fresco. Vá, tome o comprimido. Amanhã você começa fazer caminhada. Ou uma corrida, você decide. Isso mesmo, você decide quais ruas entrar e sair. Você escolhe quando perder o fôlego. E quando o recuperar. Garota, vá dormir. Descanse do sono que ficou suspendido. Vá, feche os olhos pra escuridão agora. Porque amanhã será mais fácil se acostumar com a claridade. Garota, tem um pouco de bagunça por ai, mas você já adiantou bastante dela. Só terá de limpar o resto depois, mas sei que não vai postergar isso - não dessa vez, e depois do resto você terá um tempo livre pra decidir se vai bagunçar isso novamente. Vai decidir se ficar encarando o espelho talvez seja algo bem esclarecedor. Você vai decidir, garota. Amanhã, mesmo que postergue algo de novo, sei que vai tomar um bom café pra dar continuidade à limpeza, aos a fazeres, à vida. Garota, se mantenha. Esteja forte. Assim as bagunças mal serão bagunças com o tempo, e será mais eficaz em arrumar tudo de novo. Vá, garota. Se torne mais forte. Tanto quanto é. Estou orgulhosa, garota. Continue com os sorrisos assustadoramente enormes. Alguns serão fachada para a sua limpeza, outros serão o júbilo dos sorrisos bobos, leves e simples. Vá, garota. É hora. Continue. Não pare até perder a pose. Não pare até perder o último suspiro. Vá e boa noite, garota.
sábado, 4 de abril de 2015
Confesso
Confesso. Sinto medo. O pior é a aflição de não saber definidamente o que será, o que acontecerá. Sinto medo de estar envolta demais nos seus cabelos, no seu cheiro. E preciso de algo pra definir, qualquer coisa. Porque estou me obrigando a enfrentar definições. Quando entrei nisso sabia que teriam apenas duas, e parece que estou no meio disso tudo. Não sei pra que lado isso vai cair. Eu não deveria estar escrevendo sobre isso. Sobre essas lembranças que me pegam e me bofeteiam. Eu sabia dos perigos, sabia mesmo. Enfrentei alguns, me deparei com alguns medos. E o que me parece é que preciso de mais para enfrentar. Estou gostando disso porque sei que uma hora pode saturar. Como se eu precisasse de mais para tirar o fim de vista. Fico triste ao saber que espero pelo abismo. Do ponto onde olharei para ele e esperarei que me olhe de volta(vide Nietzsche). O medo é de descobrir que ele confirme tudo o que desconfiava. O medo é que eu esteja preparada para qualquer confirmação. Estou lutando contra forças invisíveis, difíceis de verificar. Estou aflita e extasiada por acreditar que eu possa me preparar por duas situações diferentes. Bem, será que no fim serão tao diferentes assim?
Smile
Talvez eu nunca envie essas palavras. Não consigo me decidir se seria justo te entrega las. Porque eu queria te fazer notar a sua inocência, no bom modo, de um modo comovente. A sua bondade chega ser palpável. E meu coração chora ao perceber que esse amor tão... puro, inocente, não duvido que carnal, não seja retribuído. Tenho essa mania de achar que algumas coisas ficam bonitas, quase poéticas, quando têm vontade de se transformar em outra coisa mas por algum descuido do mundo não podem. Talvez a forma como nossos corações foram criados não deva ser uma forma muito justa ou direta. É uma forma confusa, sempre dizem pra seguir um caminho, sempre nos trazem algum manual, mas o pior de tudo é que você nunca consegue catalogar seu sentimento, não consegue achar uma categoria, um remédio para se achar, se curar. Falam como é fase, como temos que crescer e viver ainda, mas estranhamente não dizem como. E isso dói. Porque teremos que descobrir sozinhos. Isso é triste. Isso me comove, me abala. Eu gostaria de te dizer que sentirei falta sua mas tenho medo como absorverá essas palavras. Não pretendo te machucar. Nunca pretendi isso a ninguém; imagina à um coração tão doce... Me sinto culpada por algo que ninguém deveria ser culpado. Queria te fazer notar que você pode trazer muito ao mundo, talvez até um mundo privado de alguém. Você tomará seu caminho, e eu vejo luz nele, vejo sucesso... Alegria. Te desejo alegria, porque parece que assim como eu e muitos outros, sabes o que é a dor. E o maior de tudo é que sabes sorrir essa dor de uma forma simplória, bonita até. Te desejo um amor puro em retorno, mesmo que esse venha de si mesmo, e não se engane porque essa é a maior forma de amor: poder amar a si e conseguir amar de forma tamanha os outros. Que ame. Que sofra. Mas não perca seu sorriso, ele é a prova de como no mundo existe pessoas adoráveis como você.