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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

domingo, 21 de agosto de 2022

Ser pelo ser

Há beleza em muitas coisas no mundo. E eu aprendi a apreciar a beleza do estado das coisas. Ao observar a paisagem da minha janela e achar bela, sem motivo sem precisar explicar nada, só é bela por ser, por estar lá e ser o que é. Em olhar para a lua de madrugada e ver o brilho, a forma, a beleza e a pureza de ser apenas o que é. A lua bonita no seu estado natural de ser, só sendo. Eu aprendi a beleza das coisas que colocamos valor, das coisas imateriais que sempre tentamos achar significado, início, meio e fim. Aprendi a observar a beleza do amor. O amor sendo o que se é, sem que eu precise explicar ou trazer significado. O amor dos meus amigos e da minha família. Sem que eu precise mensurar toda a história por traz. No momento que eu o observo, só existe o amor e eu, o objeto e o sujeito. Sem intenção de alterá-lo, muda-lo, atrelar significado ou magnificência. O amor por ele mesmo. O ser pelo ser, o estado natural do amor, que existe ali no momento em que eu o observo.
A paixão... Ah, como eu amo observar a paixão. Porque ela é um dos meus vícios favoritos. Aprendi a enxerga-la no seu momento finito que se transfere infinito pra memória. Eu observo a paixão e ela no seu estado natural é um olhar, é um sorriso de canto de boca, uma gargalhada espontânea e única. É o aperto no colo da brincadeira, é o cheiro, é a primeira vista. E como todas as outras coisas, aprendi a observar como ela realmente é: a paixão sendo paixão no seu estado natural. A paixão sem expectativas, a paixão no seu estado puro. 
Aprender a enxergar as coisas pelo simples fato do que são traduzem toda a mágica que vim aprender nesse mundo. 
Aprender a ver o que é pelo simples fato de ser, o que existe por existir, o ser pelo ser.