"Todo mundo esconde quem é pelo menos por um tempo, as vezes você enterra alguma parte de si mesmo tão profundamente que precisa ser lembrado que ela ainda esta lá, e as vezes o que voce quer, é só esquecer quem você é, por inteiro."-Dexter
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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
No consolation for tonight.
Talvez esse seja o texto mais ingrato que minha mente possa supor. Mas o pior é que ele não deveria ser assim. Há dias que a vida parece tão boa, que por justamente não poder alcança-la assim não valesse a pena seguir. Mas essa não é toda a verdade. A verdade é que tudo isso que nos dispomos - já parou para pensar o quanto e a tudo que nos dispomos rotineira, corriqueira e cotidianamente?- é muito cansativo. As vezes simplesmente conseguir dormir e não sonhar, abrir os olhos e levantar se torna cansativo. Mas acalme-se, isso não é uma nota de suicídio. Isso é só consciência do cansaço, que as vezes até as coisas mais alegres lhe tira o ar e isso também se torna cansativo. E até mesmo a redundância deste texto me deixa cansada. A vida não acabou aqui para mim. Por mais que eu seja fascinada pelo conforto e descanso que a morte parece ter na minha mente. O triste é que esse descanso é dado só a quem a alcança. Todos os outros para trás acabam se tornando cada dia mais amargurados com o cansaço e mais ainda aqueles que tem consciência disso. E qual consolo há se tão somente a morte que traz o descanso? Não temos consolo, nunca descansamos. Ainda não descobri palavras doces o suficiente para dar de alimentar as minhas dores. As dores do mundo. Nada parece suficientemente e prolongadamente doce para livrar-nos do amargor do sangue na boca. Quão sem esperança pode ser este texto? Até que ponto não posso dizer, já que é madrugada, estou cansada e dormir parece não ser saída. Eu não choro por falta das minhas palavras, por falta do provento que palavras doces poderiam dar. Eu me calo. Eu aquiesço. Eu tento abraçar o mundo no silêncio mas sou muito pequena para tal. E isso se torna visível quando a parte mais próxima não pode ser tocada. A parte mais próxima a mim espalhada ao mundo. Não há palavras de consolo. Mas digo que se um dia eu pudesse fazer um desejo, eu levaria todo o cansaço embora comigo quando eu partisse para sempre; para ver o mundo próximo e distante sorrir sem rugas. Mas eu não posso. Então hoje eu aquiesço. Pois não consolo, não tenho palavras doces, não tenho desculpas a serem pedidas e dadas. Eu me calo. Pois não consigo alcançar o que quero com minha voz. Eu durmo. Pois a minha mente não chega até onde eu gostaria. E isso não é uma nota de suicídio. É uma nota de cansaço.
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