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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sentinelas frias

Olhares que reprovam, que apedrejam. Te secam e te fazem delirar, repugnar a si mesmo. Críticas ou comentários que te interferem e ferem. Reprovações particulares que te enojam. Pensamentos ocultos que te atormentam e te insinuam a mente. 
Então você escolhe as lágrimas que a vida lhe oferece ao invés dos lenços. E as gotas salgadas lhe sufocam, lhe roubam a respiração. Seu coração se esquece da claridade, pois ela machuca. Ela cega. E então se contenta na ausência dela... na escuridão.
Você busca as respostas, mas na tua mente só há indagações.
E você olha para cima e se pergunta aonde foi o sol. Aquele que te aquecia e guiava. Você lamenta; você chora. Mas... mas teus olhos embaçados lhe mostram algo. O céu.

E mesmo com as gotas lhe embaralhando a vista e apertando teu coração, ele está lá. Resplandecente. Observador, quieto. Ele te olha lá de cima, e com toda tua grandeza lhe oferece conforto. Oferece espaço para a chuva e as estrelas. Ele é lindo.
Suas últimas gotas salgadas e pesadas se esvaem. E pela primeira vez você escolhe o lenço.

A vida não é confortante e fácil na maior parte. Mas ele, o céu, é. Ele te entrega um brilho, e você coloca nos olhos. E ele limpa o teu rosto e abre teu sorriso. E te mostra que ele não fez nada. Mas mostra que a tua escolha sempre fez e valeu de algo. Não importando o resultado.
E os monstros lá fora em sentinelas frias, sem pulso, se tornam pequenos diante de teus ombros e bases. Teus amigos. E aquelas reprovações lá não se comparam as paixões e amores. A tua paixão, ao teu amor. Os delírios e críticas se dissipam como palha pelo teu sangue irmão. Pelo teu lugar blindado. Com tuas sombras protetoras.


E eu sei que escolhi o lenço, que vou me lembrar desta escolha. E aquele céu vai continuar lá para mim. Resplandecendo.
O medo é meu. E a força também.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Expectations

Seja, não seja, se case, não vadie, não mude, não insulte, não engravide, não falte, vote, coma, não beba.

Imperfeição, parece não ser mais tolerada. Um andarilho já não vale de nada. Existir, isso se deve a perfeição. Viver, é coisa da imperfeição. Não quero me envolver com a existência, não quero provocar expectativas em patriotas padronizados. Coma legume; estou viva e comi poucos na infãncia. Comi legume, estou feliz, eu quis. Não esperavam. Não vou ser um matador, pois pedem para não matar; só vou ser o que me caia bem. O que pode até ser o que te agrada. Pense bem, primeiro virá o que me cai bem depois o que te agrada, será apenas coincidência.

Pois bem, não me apresente exemplos bonitos. Adimiro-os, porém não será desperdiçado suor e lágrimas para a incubência de ser igual a tal ser. Não serei igual, a um rei, a uma princesa, a um estudioso. Não serei uma Deusa. Não serei bonita, ou sociável. Não trocarei minhas chaves e roupas. Não é que serei ninguém. Serei Eu. Um eu que não está descrito em livros e guias. Um Eu que achei em lugar algum, que achei aqui, aqui dentro de mim. Esse 'Eu' não será explicado em dicionários. 

Não chore, caso lhe ofenda. Não pedi que esperasse muito, só tentarei te mostrar o que o 'Eu' é. Só entenda, esse 'Eu' não será mais produto de um mundo convencional e exemplar. O 'Eu' não terá boas notas nem bons amigos. O 'Eu' terá boas maneiras, até. Porém não terá o escrupulo em fazer o que quer, se isso for te fazer bem.


Please,
Don't create expectations about the 'I'.   

Hate

Então, você se vê encurralado. Algo desaba. Estaticidade.... é a primeira reação.

O mundo me grita desaforos e me apresenta abismos, quase cedo-me ao medo. Odeio essa força de resistência que as vezes me prende, me tranca. Por ora odeio todo o mundo, por ora apenas odeio a mim. Ódio, ódio, desgraça. Me trituram, me mastigam. Nem me aspiro a eles, porque então me vinculam à tais? Talvez não exista ódio prontamente dito; talvez seja ego e ignorância, algo como um amor doentio, que aqui e acolá se aproveitam da tarja "Ódio".

Ressentimento, culpa, incapacidade. Cabe tudo isso dentro de uma mente só? De uma mente ainda fresca e quase nunca desiludida? Sim, acho. Desgasta, corrói. Domina e aproveita. Sinto algo fuzilando minha mente e pensamentos. Sensação de algo gélido, frio. Por que ainda dói ter tudo isso aqui dentro? Por que roupas, cheiros, fotos, flashes e momentos te lascam a ultima fatia de realidade? Ainda quero entender. Quero saber porque esse nó na garganta é constante. Quero saber do que se trata essa sensaçao de sólidão em meio ao público, em meio a multidão...

 Essas lágrimas doem. Isso machuca. Mesmo que bajulado, por que ainda dói, por que ainda destroi? 


 ...Só quero entender... ou aprender a esconder...