...

"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Blues

    Vazio. Você tem tudo. Mas continua vazio. Percebe que está chorando quando todos os outros dão gargalhadas.
    Impotência, é tudo que sente por não saber de nada. Do que vai acontecer e se vai continuar de pé. Se não, pra que lado vai cair?
     Sente que quer ficar... mas, esse não é o seu lugar.

     Será esse falso sorriso tão verdadeiro, que ninguém possa notar? Um sorriso tão cansado. Que quase grita quando se apresenta.
     Um céu tão azul, tão frio e grande. Parece que você não cabe em lugar algum. E a música é a única a me carregar de um lado a outro. A me sustentar e puxar uma cadeira para me sentar. Ela não para, agradeço por isso. Não sei se continuaria se... se ela parasse.
      Fora dela? Sempre está chovendo.
      É tudo tão grande. Mentes, lugares, pessoas. Mesmo assim, continua apertado. E as lágrimas ficam cada dia mais salgadas.

      Tudo questão de oscilações. De estar e não estar. De ser e não ser. Quase tudo não se prolonga muito.
      Quando a música azul tocar, não vai estar apertado. Vazio ou sem lugar. Ela estará lá.
          E continuará... a tocar e a tocar...