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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

terça-feira, 24 de março de 2015

Pay your debts, girl.

Eu deveria sentir algo. Talvez algo mais definido, mais característico. O problema é que não sei em que parte do mundo, da minha história eu me perdi. Se é que me perdi. Eu deveria chorar. Eu deveria entender o que está acontecendo, pelo menos comigo. Contudo, só me deixo carregar pelo peso dos dias, pela inércia e procrastinação. Sinto que vou me afogar em algum momento desses dias.
Em certos momentos sou audaciosa o suficiente pra dizer que você não deveria ter me negligenciado. Você me deixou só com minha mente. Com minha mente fragmentada, sedenta por algo. Qualquer algo. Eu lhe tinha dito que precisava de ajuda. Que você poderia me salvar. O que foi aquilo na sua voz, quando isso aconteceu? Não, espere... Não tinha voz, não tinha você, não tinha vontade. Você só ouviu ou fingiu me ouvir. Não, não posso colocar qualquer culpa em qualquer lugar que não seja em minhas mãos. Essa não seria eu. Não é? Talvez eu tenha só engolido a culpa com um pouco de café e vodca. Você me deixou a procura de algo. O mais triste: não posso encontrar esse algo em lugar algum. Não mais. Você me deu tudo e depois me puxou o tapete debaixo dos pés. Em algum momento eu devo ter batido a cabeça, e talvez até meu coração tenha rolado pra fora de mim nesse meio tempo. Você me negligenciou. Eu estava fraca demais. Sou fraca demais. A culpa é minha, não é? Eu fui fraca, eu tentei me achar, eu tentei me levantar... Escolhi caminhos duvidosos pra achar a saída. E eu continuo no escuro. Você quebrou minhas lâmpadas. Eu choro um choro sem lágrimas agora. Eu sorrio um sorriso sem alegria. Eu deveria ter te dado o mundo, todo o ele porque o meu parou de ser suficiente. Eu deveria ter feito tanto que agora me pergunto se tivesse feito se faria mesmo diferença. No final, a última coisa que eu deveria não fazer é  te machucar, então me dê a culpa. Culpe minha fraqueza, culpe meu amor insaciável, culpe minha consciência furtiva, culpe minha reta razão, culpe me! Porque será só isso que restará ao meu ego, que até no final tentei te proteger. Oh, deuses, eu deveria tanto que tudo que devo agora são as prestações do amor no meu coração por você. Quanto tempo levarei pra me livrar dessa dívida?

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