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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

domingo, 23 de dezembro de 2012

Universe


E eu preciso saber que estou viva. Que corre sangue entre essas veias roxas tediosas. Preciso correr riscos.
Os arrependimentos são consequências quase imutáveis, mas também quase sempre não fatais. Se correr riscos é tomar as consequências nas costas, que tudo voe rápido e respire lentamente.
Só preciso saber que meu mundo é maior que tudo isso... E quando o mundo já não for o suficiente, irei atrás do Universo. Esse, esse sim sei que é meu lugar. Algo que só tem de crescer e nunca parar. Que abrange tudo sem nada pisotear. É tudo que quero encontrar, o que querer deixar ir... Preciso de algo que me deixe pairando, mesmo no vácuo mas em torno de tantos corpos maravilhosos. Frios, quentes, estonteantes. Tenho de ser algo em que acredite ser. Preciso ser minha.  




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

No words

E não precisamos de palavras. O tempo está ali. Pra nós. Deitados, deixamos as paredes falarem o que gostaríamos de dizer, de ouvir. E não precisamos do mundo compreensivo. Precisamos de nós, apenas isto.

E os ventos traíam um cheiro forte de mudanças, felicidades, quedas iminentes. Mas a nossa viga se tornou forte. Nos fizemos atentos quanto a nossa construção. E tão menos nossa melodia foi deixada ao léu. Compomos várias, sem "mesmicificar" uma. A nossa, tem tempos diferentes. Tons altos, elevados, outros tão baixos. Mas... não paramos. Nem mesmo de compor ou tocar. Não paramos, porque sabemos que já não seremos nada sem essa melódica parafernália em nossas vidas.

Vejo vidas vazias, olhos cheios. Mãos solitárias. Me assustam tanto. Me desfalecem a medonha escuridão, ao nada. Entretanto, vejo teu sorriso. E é como se todo o mundo fosse um grão, e que de estarmos aqui já não mais vale de nada o medo. Ou o aterrador declive à solidão. E desde que aceitemos o nosso tempo, seremos eternos guias no olhar um do outro. E de mais nada precisaremos viver, se não do amor.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Uma pequena resenha...

            Minha vida... está bem. Está ótima, e mesmo que eu caia em algum momento, vou me lembrar desses que estou vivendo. Estou feliz. Estou amando, vivendo.
          Amo fazer planos.. Mas gosto mais é de deixar as coisas seguirem o próprio rumo. Me surpreendo sempre. E sempre me ajeito e sorrio.
          Quero deixar isso gravado, porque se um dia eu ousar lamentar meu passado, terei isso como memória. E saberei enfim, que pude viver minha vida, da minha melhor forma (im) possível.
           Sempre achei que gostasse mais de dramas e lágrimas. Não estava tão errada, por fim. Gosto de dramas divertidos e engraçados. E gosto de lágrimas com sorrisos.
            Agradeço muito, à todos que fizeram e fazem pare da minha vida, porque sem eles não saberia o verdadeiro significado de viver.

domingo, 17 de junho de 2012

Cinzas

E meus olhos estão cheios de novo. Admitindo mais uma vez essa redenção fugaz. Que se prosta em teimosia. Mas é mais forte que minha razão. Afinal do que adianta ela em frente a esses olhos castanhos?
  Essa melodia devora minh'alma, a consome em demasia e lhe implora uma dança.
  Entregas-te de boa maneira, porém severas. A escuridão ronda e o sorriso se prosta deixando nosso palco receptivo. A plateia não parece entusiasmada. Se levantam e vão. A melodia retorna somente a nós.
E ela escancara nossas almas, que antes não sabiam como. Tão são lindas que se fincam em próspero infinito amor. Tão são peças que se encaixam, que se descançam em fervilhões de pavores de ausência.

Severa noite, arrasta-se em pés de demora. Acorrenta-vos aos sonhos meus, de lúcidos desejos libertos, procuro-te. Em prontidão procuras por quem querida alma? Segredo. És a mim. Tu sorris.
Doce poeta. Enfermo por solidão maldita, lágrimas tangidas em tintas e papéis.

Óh, querida alma, liberta-nos. Traga suas cinzas, de papéis gastos em desamor. Trarei as minhas de desesperança. Então livraremos-nos de tão amarga angústia. E continuaremos a dançar. Não até que os aplausos aconteçam, mas até a música se acabar.

domingo, 20 de maio de 2012

Vazio inerte

 Tento encontrar a culpa em outros lugares, mas ela continua em minhas mãos... sem se mover. E dramaticamente, não consigo libertar-me dela. Em meus olhos se vê a inércia do mundo meu, uma desolação incoveniente, que me arremeça os frangalhos de minh'alma.  A fraqueza me sonda. Poderia alguém em tal estado ainda continuar sorrindo? Continuo. A noite sem estrelas, fica insuportavelmente fria, sinto falta delas. A ignorância, me corta e dizima a vontade de lutar contra tudo novamente. As palavras saltitam de boca e boca, porém não chegam a mim formidavelmente. Me desligo, esqueço, mas mesmo assim elas ainda chegam em meus ouvidos. Ignoro. Mas me importo.
  Meus olhos continuam pesados, minha sombra se distorce imutavelmente nos anteparos antigos. E as sombras estão por ai, espalhadas.

  Espero, espero e espero o dia chegar. Mas meus olhos não se acostumam com a luz forte. Cego-me. E permaneço na escuro clamando em vão, a saída. Mas só encontro o vazio inerte, em minhas mãos frias. As lágrimas navalham o meu rosto acinzentado, pálido. As vozes voltam como facadas, desacerbadamente, me arruínam.

  A tragédia se instala, e minha mente se apronta perante a dor, se refaz e sai sem despedidas desnecessárias. Em alguma parte, distante, abaixo do profundo abismo se finca, uma fresta da realidade inaudível. Contundente, o ego retorna. Prende e retrai cada forma de expressão. E então se esvai a necessidade de sentir de forma tépida, a razão, novamente.

  A escuridão se prosta diante de meus olhos. Porém me acostumo a ela. Constrangida, já não absorve mais meu solo, e deixa-me dar passos largos.

  Pois continuo a caminhar, contudo sem saber onde chegar.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sumiço

Eu te amo. - disse. Saiu rouca e falha, quase inaudível. Mas eu ouvi. Droga, eu ouvi. E apesar de ser o que eu mais queria, por que doeu tanto? Eu fiquei, após ouvir a batida do telefone no gancho. Estava mudo, mas eu poderia ouvir aquela frase milhões e milhões de vezes. O que exatamente você quis dizer com aquilo? Uma despedida, um pedido de desculpas, suas condolências? Já fazia tempo que não esperava aquilo de você, achei apenas que estivesse se esquecido. Achei que não se questionara mais o nosso sumiço, o sumiço dos nossos sentimentos, dos nosso olhares. Quis saber se estava com saudade de nós, mas era tarde de mais pra saber. Continua tarde e já não sei se consiguirei a reposta tão cedo. Continuei sentada por algum tempo, e então me decidi. Assumi para mim mesma que queria você, sem mesmo saber se me queria. Pelo jeito te quero muito, e não te perguntarei o mesmo. Não te darei ao luxo de voltar atrás, depois de se aventurar com minha mente e com meu coração. E vi que minha única saída era te ter, sem ser só na minha mente.

Aquela música começou a tocar, e iminentemente não pude conter minhas lágrimas, teimosas. Mas o que mais doeu foi, automaticamente, ter pensado em você; naquele momento em que escutavamos juntos a mesma música... E então porque ainda me sinto só, se só poderia existir o nós?
Não consigo esquecer daquela noite, em que via em seus olhos cansados, o deleite de viver, o desleixo com a 'alheidade', aquela sensação de liberdade; ah, mas ela brilhava tanto no seu olhar. Sinto saudades daquilo que julgavamos ser, mas... e agora, como o 'nós' ficará? Não sei, não sei se pra você nada mudou, mas esse silêncio não te incomoda? E essa distância, não machuca nem se quer um pouquinho? Em mim dói, muito. Essa coisa de ego, já não a suporto mais. Vamos guardar-lo, só quero ouvir tua voz novamente sem nela conter um pingo de ressentimento, ou de anseios.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Those days

Sabe, os dias as vezes passam tão rápidos, mas há noites que fazem todos os anos valerem a pena. Aqueles dias que você só via correr, mas há algum que você o vê deslizar demoradamente entre os seus dedos, e você os devora sem ao menos  ter receio. É um daqueles dias que você não vê o sol, mas sorri com a chegada da chuva.
Um daqueles dias que você me mostra o quão  a vida pode oferecer e não duvidar disso.
E mesmo que seja momentâneo, sei que essas noites e dias me fizeram sorrir de tal forma que nunca ousaria procurar em outro timbre, buscar meu estado de paz.
É nessas noites que teus olhos brilham tanto que me mostram um passado ilucido e atrevido, um passado vivido, com sorrisos, com rastros de amarguras. Em que teu suor condiz com teu estado, com tua alegria e humor.
Não diria que em outra dimensão seria igual ou melhor. Porque nela já não me importa de nada, me empolgo com a vida deste lado. Não vou me preocupar com esta outra dimensão por ora. E mostrarei as minhas estrelas que tão pouco vale a pena visar apenas do outro lado.

Não quero entender essas outras orbitas, quando a tua é a que mais me devora em felicidade.
E é nesses dias e noites que o teu abraço me aconchega, que teus beijos me embriagam e o que eu mais desejo é estar com você, toda a noite. Todos os dias.

Mas é nesses dias que desejo que esses se tornem todos.