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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

segunda-feira, 30 de março de 2015

I have you

Algo que eles não dizem sobre a dor de perder alguém: não, ela não vai embora, ela não se torna uma dor diferente, ela não ameniza. Não adianta. Não tem esse papo de que crescemos e aprendemos a enfrentar a vida. Porque, nego, simplesmente não dá. Fingimos suportar, só isso. Fingimos olhar nos olhos das outras pessoas na rua, fingimos que não vemos nossos reflexos, nossos olhos marejados refletidos. Cada um carrega uma dor única, mas não tão leve cada qual a sua maneira. São sempre pesadas, são nosso demônios, são as dores que tentamos afastar quando estamos sorrindo. São as dores que tentamos lavar quando estamos chorando de baixo do chuveiro. São as dores que torcemos que ninguém ouça seu soluço, porque quem quer que apareça atraído pelo barulho, não vai entender que precisamos disso. Desse choro silencioso, porque é tudo que resta, é tudo o que a dor deixou pra trás.
Não. Minto. Não é tudo. Não posso deixar a dor ficar com tudo. Não dessa vez. Temos as memórias, temos as lembranças doídas... temos os amigos. Temos com quem compartilhar a dor. Temos quem pode enxugar nossas lágrimas. Fico tão feliz em ter eles. Eles que parecem carregar lenços nos bolsos todas as vezes que pareço fraquejar. Droga. Eu não deveria estar derrubando essas lágrimas. Eu disse que ficaria bem. Eu disse. Eu sei que vou ficar. Eles estão comigo. Tenho eles. E isso a dor não vai tirar. Não deixarei.

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