Visão. Audição. Por hora pensei que poderia sobreviver só
com os dois.
Visão, de tudo que era e o que não era, que vivia e o que já
não respirava; era algo sem expectativas.
Audição, era o mundo sem agonias, sem vazio, era eu e o
vazio cheio, a despreocupação com satisfações.
Ambos, era o torpor, era a saudade de tudo que não existiu,
de tudo que se tornaria, era a vontade de palpar a sensação de pairar sobre
minha mente, era a realização desta. Foi minha mente quieta, ouvindo, vendo,
respirando. E era o que ela pedia-me há tempos. Um pouco de ar.
Foi a sensação de não precisar me encontrar, não precisar
entender nada, foi a necessidade de estar lá, foi a necessidade de não
necessitar.
Não me libertei. Mas respirei, respiramos. Minha mente e eu.
Fomos uma só. Nossos corações batiam rápido, mas era morfina sendo jorrada por
todo eu.
Era o cheio sendo preenchido pelo vazio e vice-versa.
Eu era meus sentidos, e os meus sentidos eram eu. Eu era a
brisa, o som, a imagem. O sorriso e os olhos marejados.
E agora... Agora é memória, entorpecida e
camuflada apenas com a audição. Mas viva na visão da minha mente.