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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Existe alguém ao gatilho?

Existe outrem que não culparia a si mesmo? Existem tantas perguntas sem respostas? Um ‘zilhão’, me parece.

Vamos! Agarre sua culpa, antes que outro a pegue. Corra! Antes que alguém tome seus pés.
Beije! Ame! Se denuncie! Grite! Antes que lhe roubem a arma a ser disparada.

Não gostaria mesmo de sentir o cheiro da pólvora? O alvo turvo assusta tanto assim?
... Sim. É medonho. É doloroso.  

Quem é você sem sua culpa? Quem é você sem os seus pés?

Que é você sem o alvo à frente?



quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A bit of

Esse cheiro... não me é estranho. É cheiro de chuva, mas tem algo mais... é a mediocridade.

É então quando tudo para de rodar que percebe que a humildade foi embora, dando lugar a mediocridade. A admissão do pouco quase nada que está bom, que não tem problema.
É a aceitação de ter pouco... pouco amor, pouca atenção, pouco interesse, pouca consideração, pouco tudo... e o que dói mais é ver que se sustenta as migalhas. Que se desespera por pouco e que acha o suficiente. Que quando consegue o pouco não vê que é o pouco do pouco. Que é pouco de mais.
Sei que aceita se o pouco pra fugir das expectativas, pra ignora-las talvez. Mas certos poucos, são ruins sendo poucos... É como se todos os poucos não te provessem o ar necessário.

E de fronte a alguns olhos, tudo será ingratidão... mas não chega a ser isso quando já não se luta pra ter mais. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Did you?

  Preciso escrever algo... não lembro me mais o quê. Por que você está aqui de novo, revirando e tumultuando tudo, aqui dentro de mim. Talvez eu fale daquele sonho novamente, mas porque o faria? Já lhe contei... mas sinto que não disse como me senti realmente, sonhando daquela forma. 
  Era como você tivesse mostrado-me quem era, como se confiasse você a mim. Tudo tão lento, mas pude sentir um sentimento tão diferente de todos já experimentados em sonhos. Porque era você ali, sem máscaras, você e eu, sendo somente nós. Era aquele abraço... como descrever aquilo? Como descrever o lugar o qual procura a vida toda para estar? Como descrever o mundo se tornar de duas pessoas apenas? Como descrever... aquela paz?  
  Já conseguiu sonhar sua paz? Já conseguiu sonhar e sentir algo indescritível mesmo inconsciente? Já conseguiu sonhar ser você mesmo? 

 

 Um dia... talvez não, talvez meus sentimentos não sejam tão palpáveis ao ponto de um dia descobrir como são, mesmo com esse estardalhaço que fazem... acho que não conseguirá ver o que tento te mostrar... o desespero, a ilucidez... o medo de não te ter. O medo de não te ter como tens a mim. 


Did you ever been in love? 

domingo, 8 de setembro de 2013

Sentidos


Visão. Audição. Por hora pensei que poderia sobreviver só com os dois.

Visão, de tudo que era e o que não era, que vivia e o que já não respirava; era algo sem expectativas.

Audição, era o mundo sem agonias, sem vazio, era eu e o vazio cheio, a despreocupação com satisfações.

Ambos, era o torpor, era a saudade de tudo que não existiu, de tudo que se tornaria, era a vontade de palpar a sensação de pairar sobre minha mente, era a realização desta. Foi minha mente quieta, ouvindo, vendo, respirando. E era o que ela pedia-me há tempos. Um pouco de ar.

Foi a sensação de não precisar me encontrar, não precisar entender nada, foi a necessidade de estar lá, foi a necessidade de não necessitar.

Não me libertei. Mas respirei, respiramos. Minha mente e eu. Fomos uma só. Nossos corações batiam rápido, mas era morfina sendo jorrada por todo eu.

Era o cheio sendo preenchido pelo vazio e vice-versa.

Eu era meus sentidos, e os meus sentidos eram eu. Eu era a brisa, o som, a imagem. O sorriso e os olhos marejados.
 
E agora... Agora é memória, entorpecida e camuflada apenas com a audição. Mas viva na visão da minha mente.

domingo, 9 de junho de 2013

Segundo sol

Querida Cássia, talvez quando o segundo sol chegar eu deva estar longe. Ou até mesmo caminhando com a morte. Para algum lugar que sempre será um segredo, caso houver. Só queria te contar que a vida que arde sem explicação é o que me consome, que me incrimina e me lava em turbulência. Aviso desde já, que ir com a morte não será tão doloroso quanto a ideia, pois ela tem um gosto musical realmente extraordinário. E se meu telefone não tocar e mesmo se não tiver uma nova casa, essa vida que arde talvez me dê algo de bom, algo só meu. Talvez esse algo não perdure ou não se encontre um sentido invejável. Mas quando o segundo sol chegar, pra realinhar as órbitas dos planetas talvez eu tenha conseguido alcançar a felicidade momentânea mais louvável, ou somente sorrir sem sentir; um sorriso meu, um sorriso nosso e verdadeiro. Só queria te contar que isso tudo não tem explicação, não tem, e mesmo se tivesse, porque e pra que teria? 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Blues

    Vazio. Você tem tudo. Mas continua vazio. Percebe que está chorando quando todos os outros dão gargalhadas.
    Impotência, é tudo que sente por não saber de nada. Do que vai acontecer e se vai continuar de pé. Se não, pra que lado vai cair?
     Sente que quer ficar... mas, esse não é o seu lugar.

     Será esse falso sorriso tão verdadeiro, que ninguém possa notar? Um sorriso tão cansado. Que quase grita quando se apresenta.
     Um céu tão azul, tão frio e grande. Parece que você não cabe em lugar algum. E a música é a única a me carregar de um lado a outro. A me sustentar e puxar uma cadeira para me sentar. Ela não para, agradeço por isso. Não sei se continuaria se... se ela parasse.
      Fora dela? Sempre está chovendo.
      É tudo tão grande. Mentes, lugares, pessoas. Mesmo assim, continua apertado. E as lágrimas ficam cada dia mais salgadas.

      Tudo questão de oscilações. De estar e não estar. De ser e não ser. Quase tudo não se prolonga muito.
      Quando a música azul tocar, não vai estar apertado. Vazio ou sem lugar. Ela estará lá.
          E continuará... a tocar e a tocar...