Eu ainda me lembrarei por algum tempo antes de dormir, sobre sua crença em um deus, que se tornava aos poucos um deus subjetivo, só seu. Imaginarei suas preces silenciosas. Escutarei o eco de algumas promessas, ditas somente numa noite, comentadas pouquíssimas vezes, e esquecidas com o tempo corrente. Os carros parecidos com o seu ainda me darão calafrios por algum tempo. A sonora gargalhada em que dava em poucas chances que pude causar em você, ainda retumbarão algumas noites na parede do meu quarto; do mesmo jeito daquele álbum do Pink Floyd que ouviamos no seu antigo quarto quando estávamos suados. Meu estômago revirará ao ouvir aquele álbum por algum tempo. A vontade de apagar, rasgar e queimar lembranças de viagens andarão algumas noites comigo. O desejo de assassinar as coisas e as atitudes que me lembrarão de você continuarão por alguns momentos. Então a necessidade de assassinar o que restar de você em mim, no meu quarto, no meu caminhar, na minha vida surgirá quando eu tragar alguns vários cigarros. A bebida, a fumaça, o cheiro de suor de alguns outros corpos o matará aos poucos para que então eu possa continuar sobrevivendo mais alguns dias. Até que isso tudo um dia vire lembranças que talvez ainda produza algum comichão, alguma coceira mas que acabarei não me importando se exista ou não; e somente saber que você ainda está vivo tirará alguma tristeza trágica que algumas mortes literais dão. Mas será só isso, sua morte metafórica não me importará mais.
"Todo mundo esconde quem é pelo menos por um tempo, as vezes você enterra alguma parte de si mesmo tão profundamente que precisa ser lembrado que ela ainda esta lá, e as vezes o que voce quer, é só esquecer quem você é, por inteiro."-Dexter
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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
That sensation
Eu senti a necessidade de escrever sobre essa sensação, forte. Muito forte. Por deuses, é algo tão pleno, assustadoramente cheio de... Alegria. Chorei por sentir isso. E sorri ao mesmo tempo. Nunca tinha me sentido de tal maneira. Parece me por milésimos que consegui compreender como é ter um sentimento puro, e poder denomina-lo puro, porque não me fere. Não dói. Há lágrimas mas nada dói. Eu continuo sorrindo. Consegui entender que não é preciso ter nas mãos o amor de outra pessoa, não há necessidade de pedir, de chantagens, de súplicas. Sentir isso já é o suficiente. É isso. Por poder sentir essa coisa pura já é algo extraordinário. Não há desejo de posse, não precisa ter. Porque esse sentimento parece ser por si só, autosuficiente. É algo que mesmo se o objeto enamorado partir ou não tiver um espaço pra percorrer, o sentimento de estar aberto para ser atingido continuará com seu movimento. Espero me lembrar dessa sensação até o dia que eu não puder mais respirar. Talvez descubra até lá que sua causa é um monte de reações químicas no meu cérebro. Mesmo assim não me importo. Ainda assim o senti. E lembrarei me da primeira vez em que quis chorar por me sentir tão feliz por ter descoberto uma sensação extasiante, pura, doce, confortável; que pude me sentir sortuda.