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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Mask

Um cigarro. Acende. Acende. Apaga. Tenta de novo. Acendeu. Traga. Um trago, traga um olhar. Sorri. Sorri. Gargalhada. Olha de novo. Foge do olhar. Sorri. Encara. Troca de cara. Conversa. Conversa. Fiada. Troca o fio da meada. Tagarela. Fala. Fala. Fingi escutar. Encara. Troca o olhar. Fumaça. Fumaça. Enche pulmão. Finge que real é melhor que ficção. Enche pulmão. Sai fumaça. Sai contensão. Contem o sentimento. Contensão de pensamentos. Acende. Acende. Tenta de novo. Cigarro aceso. Conversas sem peso. Nossos olhos uma tonelada de peso. Arqueia costas. Fumaça. Costas pesadas. Ombros pesados. Mundos em desgraça. Acende. Acende. Sorri. Tudo passa. Todo mundo vê. Ninguém enxerga. Todo mundo fala. Ninguém diz. Na máscara à base de compreensão, dissolve a quem vê. Mas quem olha pra ver?

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