É estranho essa sensação de não ter pra onde correr. É estranho ter que segurar as pontas, sem deixar nada cair, sem nem eu mesma cair. Parece algo maduro mas no fundo é até um pouco assustador. Porque ante qualquer deslize vem o susto e a primeira reação pensada é se agarrar a algo. É nesse momento que percebe tudo que tem é você mesmo pra poder se agarrar. Esse tudo diz sobre o que é necessário. Tudo que tem a necessidade de se segurar por conta própria já que por experiência isso sempre pareceu mais estável. Pois convenhamos, não estamos a maior parte do tempo sozinhos com nós mesmos? Você precisa do mundo como base para reagir, e reage a esse mundo de acordo com experiências que tem. Entretanto no fundo tem algo solipsista que é ativado, porque ainda assim precisa se de uma individualidade composta de, sim dessas experiências, mas que também composta pelo conjunto que é você e essas experiências. Então você é um indivíduo composto de experiências mas ainda assim, você é uma coisa só? Pode ser.
Você não é completamente o que experienciou. Talvez necessesariamente sim, talvez você seja a forma como absorveu, reagiu e retrucou essas experiências.
"Todo mundo esconde quem é pelo menos por um tempo, as vezes você enterra alguma parte de si mesmo tão profundamente que precisa ser lembrado que ela ainda esta lá, e as vezes o que voce quer, é só esquecer quem você é, por inteiro."-Dexter
...
"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Holding
sexta-feira, 24 de julho de 2015
Gambling
Você está me salvando de novo. Parece que estou aproveitando muito de você, das memórias que tenho de ti. O que posso fazer se no meio disso tudo, são as mais felizes e por que não dizer, as mais saudáveis? Porque por mais que o barulho que fez em mim ou na vida pareça ser alto, você me arrancou de um silêncio perigoso. Você me tirou algumas dores, sem nem mesmo saber. Eu queria te dar algumas expectativas mas por mais incompreensível que tenha ficado, você se afastando por causa disso me ensinou a lidar contigo. E esse jogo que parece jogarmos é de longe a coisa mais saudável que tenho vivido. Ao invés de brincarmos como as pessoas convencionalmente fazem, de marcarmos começos, meio e fins tudo se resume nas nossas jogatelas, nos olhares sujos disfarçados de doçura e inocência. Ah, os sorrisos. Pra um bom observador isso seria a nossa abertura, o que nos entrega. Estou falando de nós sem nem mesmo saber e nem ter a obrigação de acreditar que isso exista. E não temos, a bem da verdade. E isso não dói, isso não machuca. Isso me ensina a lidar com minha autonomia por mais que ela pareça falha quando sinto você, mas ela está lá, ela está jogando contigo. E jogamos com cartas escondidas. Sem trapacear. Se soubermos jogar bem, esse jogo não precisa necessariamente ter uma temporalidade. Você vê? Não precisa de coisas definidas, não precisa de medos, não precisa de dor, não precisa de tédio. Só precisa do nosso desejo e isso meu caro, é uma delícia de se apostar.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Vícios?
Quão longe chegaríamos? Até onde eu sentiria sua mão na minha? Até onde eu saberia dormir sem me privar de desabar? Até onde eu continuaria a mentir tão bem que a vida é feita disso mesmo? Risos. Você não sabe lidar com fatores condicionais não é mesmo? Eu aprendi a lidar melhor com eles, evita algumas dores até. Parece que sobre você eu ainda não aprendi a evitar. Eu sabia que essa aparente solução não seria uma solução. Que eu ainda lutaria para que não doesse. Então você fez o favor de dizer que eu desistia fácil de mais. Como? Como? Você quis dizer que eu desistia de mim todas as vezes em prol de ti? Porque só poderia ser isto. E há pouco tempo não vi você tentando, acho que a desistência chega pra todos, como a velhice, como a entrega para algum vício qualquer. Por falar nisso, não me critique quanto a isso. Vícios. Você foi um por muito tempo, e olhe onde isso me levou. Esse tipo de reabilitação não tem em toda esquina, em todo olhar, dificilmente dentro de nós. Você não entende de vícios, porque não entendia o que era te ver sorrir. Porque se entendesse, saberia dos maus bocados que passei. Quando esses sorrisos são as maiores das drogas, você não julga quando sabe que isso se foi e não tem volta.