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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Elasticidade

Um dia pensei em escrever para o velho Buk. Mesmo sabendo que há tempos ele já não habitava esse mundo; pois o mundo em que podemos encontra lo agora será somente onde suas linhas têm início e fim, onde um dia ele se deixou impresso em várias páginas de livros. Os quais, por muitas vezes, nos trazem a realidade crua e nua da vida em si, da vida de quem frequentemente morreria mais vezes por amor ou coisa parecida do que tomaria seus whiskys baratos; minto, talvez teriam sido na mesma frequência. Convenhamos, sofrer de amor ou coisa parecida sempre requer uma dose de álcool qualquer que nos faça esquecer que já havíamos perdido o juízo há tempos. Bem, acabei não escrevendo pra ele. Entretanto, velho Buk... Eu talvez gostaria de fazer lhe perguntas frívolas. Como pode um coração afogado em bebidas baratas, sufocado por incontáveis cigarros e suas trágicas tragadas pesadas, um coração puído por falsas palavras ainda continuar a ser sem vergonha, tão besta e porque não dizer inocente, dar se o trabalho em acreditar? Sim. Acreditar no que quer que seja. Num olhar, numa lágrima, num beijo... Principalmente em um maldito beijo. Buk como explicar essa elasticidade e resiliência de um coração tão besta? Será que ele não entendeu do mundo o suficiente ou será que agora ele está mais calejado? Digo, talvez ele já tenha aprendido a apanhar mais do que bater nessa altura do campeonato. Velho Buk... Talvez seja só questão mesmo do quanto conseguimos apanhar com o coração na mão, exposto. E se sobrevivemos até agora, porque não deixar que ele acredite vez ou outra no que ele quiser? Só espero que agora ele esteja pronto pra qualquer que seja o resultado, e que ele possa saber continuar a bater mesmo tendo apanhado tanto.

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