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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Lágrimas de Coruja

Nunca tentei contar a ninguém, para sustentar a esperança de que acabasse mais rápido. Mas agora, me sinto tão vazia e distante, que já nem sei mais o que me é correto. Eu que me julgava a menina forte por não precisar de ninguém em especial, me revelei a mais covarde por não querer admitir minha dor. Acontece que nunca sei quando ou quem estaria disposto a secar minhas lágrimas, porque nunca disse a ninguém que precisava disso. E certamente, talvez eu não precisasse. Agora é como se eu quisesse. Alguém que acabe com isso, ou pelo menos, que esteja disposto a perder o sono por algum motivo comigo. Porque não me conformo mais em passar o dia fingindo felicidade para acertar com meu travesseiro ao anoitecer, ao menos, não quero fazer isso sozinha. Acho que a noite tem fim mais depressa quando alguém está lá contigo, ou se não termina, ao menos as estrelas vêm para nos distrair juntos.Só esperava que meus problemas fossem vistos com um pouco mais de importância e que as vezes, só as vezes, alguém notasse o quanto algumas coisas me machucam, mesmo quando nego. Tortura-me bancar a menina sem personalidade, sempre feliz e correta. Aqui coloco um fim a isso, para estar mais em paz com meu coração. Não sei se apenas isso vai cessar minhas lágrimas noturnas, mas por hora, faz-me sentir melhor, o simples fato de contar a verdade sobre o que se passa comigo. Isso me acalma.


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