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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Her way

A madrugada está fria. E nenhum cobertor aquece. Lá fora o vento uiva, cantarolando, para a chuva que já não disfarça sua vinda. "O meu desespero me amedontra, quero tentar encontrar um elo de ligação entre o antigo e o novo." - Um elo que explique quem foi aquela sombra a muito deixada empoeirada, atrás do relógio, daquele quase aos pedaços.

A fotografia de um velho pensamento, não foi corrompida. Porém é só uma fotografia. Tal pensamento não foi em maior parte inútil, mas a prende em mente. Trás saudades de outros fantasmas. Fantasmas de uma casa empoeirada, que ouvia se sussurros, mas gargalhadas altas. Uma casa a pouco abandonada.
Mas aquela fotografia continua lá, reconfigurando-a. Aquele pensamento por ora vinga, por ora não liga.

E esse elo talvez não será de tamanha importância. Mas buscará quem foi aquela sombra, fará entender quem eram as outras. Essa ligação não se mostra lúcida aos olhos de outros. Mas ela nem julga necessário. 

Ela não quer entender o frio,
Ela só quer achar um cobertor,
Algum que aqueça, e que não a esqueça;
Ela quer sorrir de novo, sem sofrer, nem
se machucar...
Ela quer saber quem foi, quer saber quem é,
Sem arriscar a vidas das outras sombras.
Ela só quer sentir o cheiro de mofo daquela
casa antiga, daqueles pensamentos antigos...
Das pessoas que sorriam e afagavam os teus
cabelos, que lhe contavam histórias de uma
felicidade utópica.

Ela quer... ela gostaria de achar o caminho 
de volta pra casa.


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