Faz alguns anos desde que você se foi... Uma década quase.
Foi sem despedidas, sem cartões, sem abraços. Mas essa é uma daquelas
despedidas que não há como estar preparado. Daquelas despedidas que se tem
medo, muito medo. Medo do que ficará pra trás agora que você se foi; medo dos
abraços e das despedidas que talvez não lembre se foram dados ou não. Mas se
esses eram todos ou alguns dos teus medos, não sei dizer. E eu tive um. O medo
de te perder, o medo que eu não gostava de pensar. Que eu achava que nunca o
teria de ter, porque achei que teria mais de você pra mim.
Mas, foi estranho, porque foi tão rápido, que o medo
apareceu depois. Depois das lágrimas nos outros rostos. Depois de te verem
guardando em uma caixinha. Depois de não quererem me deixar aproximar da caixa.
Depois de saber que não te veria mais. E então as lágrimas vieram. E me visitam
quase todos os dias. Dizem tanto. Dizem estar em alguma parte melhor desta
vida. Dizem estar por ai. Gosto de pensar que sempre esteve aqui. Que mesmo
depois de ir, não me deixa ter medo. Que segura meus ombros quando fraquejo. Ou
mesmo beija meu rosto quando estou muito cansada pra dizer como foi meu dia.
Gosto de pensar que esta aqui quando acordo, igual antigamente quando eu pedia
pra dormir comigo. Gosto de pensar que quando eu voltar no fim do dia pra casa
vai me abraçar e me desejar boas vindas. Gosto de pensar que sabe disso tudo.
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