Não poderiamos ser aqueles que se entendem, que trocam olhares e ali
mesmo compreendem os pensamentos ditos. Não poderiamos ser aqueles que caminham
de mãos dadas pela manhã nos bosques como John e Yoko faziam. Não poderiamos
ser aqueles que sacrificam-se para provar-se digno um do outro, aqueles que
sempre arderiam por dentro pelo sentimento que consome, como Cathy e Heatcliff.
Não poderiamos ser aqueles que se etregam e desmistificam, mesmo em cartas,
como Ana e Pedro. Não poderiamos ser aqueles criminosos e assassinos que faziam
o sentimento um pelo outro, 'inocentizar' toda a cena, como Hannah e Dexter.
Não poderiamos ser aqueles que desarmam as próprias convicções para dar espaço
a do outro, para ouvir e acrescentar, como... como exatamente quem não somos.
Não poderiamos ser, por já não sermos eles. Não posso por já não ser quem és, e
saberes quem és. Não posso por temer a repreensão, e não podes por não perceber
que repreendes. Não poderiamos ser mais, por não sabermos que poderiamos.
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