Soca meu estômago, chuta meus joelhos, sangra o meu nariz,
cospe saliva amarga na minha face, pega seu casaco e deixa-me
num porão vazio. Sem luz, sem ar, eu por me virar.
Levanto-me, seco o sangue, me apoio em uma cadeira velha.
Pego um pé de cabra; uso para sair de onde estou. Mas quando
você chega, me vê armada, me vê como ameça e me atira ao chão.
E num instante, não sou eu a vítima. Você sangra de um ferimento
que não tinha quando me deixou. Mas vejo sangue no pé de cabra...
Fui eu? O que eu fiz? Como poderia o machucar?
Te faço curativos. Você está bem.
Sai novamente, mas leva o pé de cabra. Eu me deito,
fecho os olhos, penso: "Ele está bem... esta tudo bem..."
Nenhum comentário:
Postar um comentário