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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

domingo, 8 de setembro de 2013

Sentidos


Visão. Audição. Por hora pensei que poderia sobreviver só com os dois.

Visão, de tudo que era e o que não era, que vivia e o que já não respirava; era algo sem expectativas.

Audição, era o mundo sem agonias, sem vazio, era eu e o vazio cheio, a despreocupação com satisfações.

Ambos, era o torpor, era a saudade de tudo que não existiu, de tudo que se tornaria, era a vontade de palpar a sensação de pairar sobre minha mente, era a realização desta. Foi minha mente quieta, ouvindo, vendo, respirando. E era o que ela pedia-me há tempos. Um pouco de ar.

Foi a sensação de não precisar me encontrar, não precisar entender nada, foi a necessidade de estar lá, foi a necessidade de não necessitar.

Não me libertei. Mas respirei, respiramos. Minha mente e eu. Fomos uma só. Nossos corações batiam rápido, mas era morfina sendo jorrada por todo eu.

Era o cheio sendo preenchido pelo vazio e vice-versa.

Eu era meus sentidos, e os meus sentidos eram eu. Eu era a brisa, o som, a imagem. O sorriso e os olhos marejados.
 
E agora... Agora é memória, entorpecida e camuflada apenas com a audição. Mas viva na visão da minha mente.

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