Querida Cássia, talvez quando o segundo sol chegar eu deva
estar longe. Ou até mesmo caminhando com a morte. Para algum lugar que sempre
será um segredo, caso houver. Só queria te contar que a vida que arde sem
explicação é o que me consome, que me incrimina e me lava em turbulência. Aviso
desde já, que ir com a morte não será tão doloroso quanto a ideia, pois ela tem
um gosto musical realmente extraordinário. E se meu telefone não tocar e mesmo
se não tiver uma nova casa, essa vida que arde talvez me dê algo de bom, algo
só meu. Talvez esse algo não perdure ou não se encontre um sentido invejável.
Mas quando o segundo sol chegar, pra realinhar as órbitas dos planetas talvez
eu tenha conseguido alcançar a felicidade momentânea mais louvável, ou somente
sorrir sem sentir; um sorriso meu, um sorriso nosso e verdadeiro. Só queria te
contar que isso tudo não tem explicação, não tem, e mesmo se tivesse, porque e
pra que teria?
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