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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

domingo, 9 de junho de 2013

Segundo sol

Querida Cássia, talvez quando o segundo sol chegar eu deva estar longe. Ou até mesmo caminhando com a morte. Para algum lugar que sempre será um segredo, caso houver. Só queria te contar que a vida que arde sem explicação é o que me consome, que me incrimina e me lava em turbulência. Aviso desde já, que ir com a morte não será tão doloroso quanto a ideia, pois ela tem um gosto musical realmente extraordinário. E se meu telefone não tocar e mesmo se não tiver uma nova casa, essa vida que arde talvez me dê algo de bom, algo só meu. Talvez esse algo não perdure ou não se encontre um sentido invejável. Mas quando o segundo sol chegar, pra realinhar as órbitas dos planetas talvez eu tenha conseguido alcançar a felicidade momentânea mais louvável, ou somente sorrir sem sentir; um sorriso meu, um sorriso nosso e verdadeiro. Só queria te contar que isso tudo não tem explicação, não tem, e mesmo se tivesse, porque e pra que teria? 

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