Ta doendo. Tô doente. Tô carente. Tá sufocando.
Não sei, tanto faz. Não vai. Sorrio, choro. Dói. Saudade.
O vento tá gelado, mas meu corpo ainda queima. O sangue corre rápido.
Tô respirando fundo, um nó na garganta me corta. Ainda consigo lembrar do cheiro.
Das madrugadas em frente da tevê, você acabava de tomar banho. E eu sentava atrás de você no sofá, enquanto você 'jantava'. Sentia o cheiro de sabonete e pele, que cheiro confortável.
Lágrimas transbordam agora. O cabelo volumoso, geralmente cor de fogo, ou algo mais escuro menos exagerado.
Já era grande o suficiente, mas nunca o bastante para não querer sua companhia ao deitar me em minha cama. Era como se você expulsasse todos os males, toda a escuridão, e mandasse a lua me iluminar.
Tá corroendo. Tanto tempo, sobrevivi. Algo como: "Como você suporta?", "Como vai suportar?", sempre diziam. Não há escolha, há? Não suportei. Só segurei a barra.
Diz pra mim eterna estrela minha, vai se orgulhar de mim? E quando eu errar e me machucar? Posso suportar de novo? Tenho que suportar. Te amo. Só queria dizer... vai com Deus e volta pra casa rápido. Te amo.
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