Lidar com uma ideia de solidão parece me que com o tempo é como lidar diariamente com algum vício. Mas parece ter estágios. Como em um vício em algo "leve", em algo que seu organismo sustente, mas com o tempo isso se torna pesado e mais pesado. Em alguns casos e em alguns vícios, você refreia isso. Veja bem, isso é uma atividade -esse vício e esse modo de lidar com a solidão- mas que não exclui a ideia de uma atividade passiva. Essa atividade pressupõe movimento para, um impulso ou parece mesmo ser agente. Então entra a passividade, o que não aniquila a atividade mas só a refreia, a deixa mais lenta, a desacelera assim dizendo. Associo aqui então a leveza com a atividade e o peso com a passividade.
Relendo isso agora me parece abobrinhas, mas enfim. Solidão. Uma palavra pequena, aparentemente que carrega um espectro sombrio sempre que pronunciada, mas por curiosidade busquei sua definição no dicionário: "estado de quem se acha ou se sente desacompanhado ou só". Por bastante tempo me pareceu ser a coisa mais aterradora para um ser - animal, que possa ser ou não humano, e que por sua vez esse seja social, político, histórico, cultural - encontrar se nesse "estado". Essa definição, estado, me chama a atenção quando nos parece que quando nos sentimos solitários, talvez em um primeiro momento percebemos que realmente seja um estado, mas com um atrevimento e solicitando uma licença poética, por que não dizer que depois de um tempo, deixa de ser um estado e passa a ser algo intrinsecamente ligado ao conceito de existência, de ser, e talvez passe a ser ato? E esse ato não parece nos poder guiar para qualquer subsequente ação, ou ato pensado ou até mesmo a uma estaticidade? Não vou me arriscar falando mais abobrinhas, tentando definir algo.
Solidão e vício se parecem enquanto ação, me parece que nos dois você sempre se voltará para algo e somente algo, seja na vontade de satisfazer sua ânsia de alguma coisa, seja para voltar para si mesmo enquanto desacompanhado. O engraçado é que parece termos sempre a companhia de nós mesmos, um eu que admite seu próprio eu. Então me pergunto, não parece um pouco contraditório definir solidão como estado de alguém desacompanhado ou só? Talvez somente enquanto consideramos essa companhia como externa e material. De outro modo, concebo a solidão assim, estar acompanhado de si mesmo.
"Todo mundo esconde quem é pelo menos por um tempo, as vezes você enterra alguma parte de si mesmo tão profundamente que precisa ser lembrado que ela ainda esta lá, e as vezes o que voce quer, é só esquecer quem você é, por inteiro."-Dexter
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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe
domingo, 17 de abril de 2016
Acompanhado de si mesmo
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