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"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria. Tudo o que amei, amei sozinho." - Poe

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Aquela música começou a tocar, e iminentemente não pude conter minhas lágrimas, teimosas. Mas o que mais doeu foi, automaticamente, ter pensado em você; naquele momento em que escutavamos juntos a mesma música... E então porque ainda me sinto só, se só poderia existir o nós?
Não consigo esquecer daquela noite, em que via em seus olhos cansados, o deleite de viver, o desleixo com a 'alheidade', aquela sensação de liberdade; ah, mas ela brilhava tanto no seu olhar. Sinto saudades daquilo que julgavamos ser, mas... e agora, como o 'nós' ficará? Não sei, não sei se pra você nada mudou, mas esse silêncio não te incomoda? E essa distância, não machuca nem se quer um pouquinho? Em mim dói, muito. Essa coisa de ego, já não a suporto mais. Vamos guardar-lo, só quero ouvir tua voz novamente sem nela conter um pingo de ressentimento, ou de anseios.

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